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Mãe transmite Covid-19 para bebê durante a gravidez nos EUA

O caso se soma a um crescente corpo de evidências de que o vírus pode ser transmitido no útero

Por Da redação Atualizado em 25 ago 2020, 18h41 - Publicado em 25 ago 2020, 15h27

Uma mulher grávida transmitiu o novo coronavírus para seu bebê enquanto ele ainda estava no útero. Nem a mãe nem o bebê apresentaram sintomas graves e ambos se recuperaram totalmente. O caso, detalhado em um artigo publicado no periódico científico The Pediatric Infectious Disease Journal, se soma a um crescente corpo de evidências de que o SARS-CoV-2 pode ser transmitido de mãe para filho durante a gestação.

A mulher chegou ao pronto-socorro do Hospital Parkland Memorial com 34 semanas de gravidez e sinais de trabalho de parto prematuro. Ela foi admitida na unidade de Covid-19 do hospital e testou positivo para o novo coronavírus. Embora ela não tivesse os sintomas respiratórios típicos associados à doença, ela teve febre e diarreia, o que sugeriu uma possível infecção viral.

“Naquela época, estávamos fazendo testes universais em qualquer pessoa com os sintomas mais comuns da Covid-19, incluindo sintomas respiratórios e gastrointestinais”, disse Wilmer Moreno, professor assistente de obstetrícia e ginecologia da UT Southwestern, que estava envolvido no caso .

A mulher não sabia como foi contaminada e permaneceu internada devido ao diagnóstico positivo. Três dias depois da internação, sua bolsa estourou. Após oito horas de trabalho de parto, ela deu à luz uma menina saudável.

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24 horas após o nascimento

De acordo com os médicos, o bebê parecia estar bem, mas como a mãe testou positivo para Covid-19, a criança foi internada em uma área especial do hospital, longe de outros bebês. No entanto, 24 horas após o nascimento, a recém-nascida apresentou febre e sinais de dificuldade respiratória, incluindo uma taxa de respiração anormalmente alta e níveis mais baixos de oxigênio no sangue.

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Os médicos realizaram vários exames, incluindo para Covid-19. O diagnóstico para a doença veio positivo 24 e 48 horas após o nascimento. O bebê ficou no hospital por três semanas antes de ter alta.

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“Naquela época, sabíamos que a transmissão não ocorria no útero, então não estávamos esperando”, disse Julide Sisman, professora associada de pediatria que cuidou do recém-nascido e principal autora do artigo. Embora mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo tenham sido infectadas pelo novo coronavírus, pouco se sabe sobre os efeitos da doença na gestação.

Um estudo realizado em Wuhan, na China, concluiu que a transmissão do SARS-CoV-2 da mãe para o bebê era improvável, uma vez que os pesquisadores não encontraram cópias do vírus em nenhum líquido amniótico, sangue do cordão umbilical ou leite materno. Mas diversos estudos recentes sugerem que pode haver casos isolados dessa  transmissão viral durante a gravidez.

Para entender como e quando a transmissão ocorreu, Dinesh Rakheja, professor de patologia da UTSW, analisou a placenta. “Encontramos sinais de inflamação e evidências de que o bebê estava estressado. Para procurar o vírus, fizemos testes além dos de rotina”, disse Rakheja

Placenta

Os pesquisadores analisaram fatias finas da placenta em um microscópio eletrônico, identificando estruturas que pareciam vírus. Em seguida, testaram pequenas amostras da placenta para o SARS-CoV-2 por meio de um teste originalmente desenvolvido para o vírus Sars de 2003, adaptado para identificar o novo coronavírus. Não foi possível utilizar os testes de diagnóstico disponíveis atualmente porque sua realização depende de fluidos corporais e não de tecidos sólidos. Por meio do teste imunohistoquímico, o patologista identificou proteínas do vírus na placenta.

Ainda são necessários grandes estudos, e não apenas relatos de casos individuais, para entender como a Covid-19 afeta mulheres grávidas e seus bebês. Mas os pesquisadores alertam para a importância de limitar a exposição de grávidas à doença. “Não sabemos se há algum efeito de longo prazo da Covid-19 em bebês.”, ressalta Amanda Evans, professora assistente de pediatria especializada em doenças infecciosas na UT Southwestern e autora sênior do artigo.

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