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Lito Sousa começa a receber cuidados paliativos em casa; entenda abordagem

Lito saiu do hospital e está em casa recebendo cuidados paliativos, que tem como foco aliviar o sofrimento e promover qualidade de vida

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 set 2026, 15h30 | Atualizado em 4 set 2026, 11h59
Lito Sousa começa a receber cuidados paliativos em casa; entenda abordagem Priorize VEJA no Google

A palavra “paliativo” vem do latim “pallium“, que significa capa ou manto que protege. Era usada para definir a capa que protegia os cavaleiros medievais do frio e das intempéries pelo caminho. Os chamados cuidados paliativos, que o influenciador Lito Sousa começou a receber, não são, portanto, sinônimo de que não há mais nada a fazer por um paciente. A abordagem valoriza a vida da pessoa adoecida e de sua família, a partir do alívio do sofrimento.

Lito saiu do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, na terça-feira, 1, e está sendo acompanhado 24 horas por dia por uma equipe de enfermeiros em sua residência. Ele foi diagnosticado com Creutzfeldt-Jakob, doença neurológica rara que causa demência e perda progressiva dos movimentos, ainda sem cura conhecida.

O quadro inicial da condição geralmente inclui demência associada a outros sinais neurológicos, como perda de memória e desordem cerebral, o que não aconteceu com Lito. Nas redes sociais, ele e a esposa, Mila Seidl, explicaram que ele já perdeu bastante movimento nas últimas semanas, mas sua lucidez ainda está íntegra.

O cenário levou os médicos a incentivar Lito a usar essa janela de consciência existente para falar, planejar decisões e estar com a família.

“Pode até parecer paradoxal que, diante de uma doença neurodegenerativa, como no caso de Lito Sousa, que se coloque em primeiro plano o desejo e a possibilidade de preservar capacidades e de encontrar formas adaptativas de participação na vida, mas há, sim, muito a ganhar com a reabilitação paliativa“, diz um artigo publicado em VEJA pelas especialistas em cuidados paliativos Manuela Samir Maciel Salman, Amirah Adnan Salman e Marysia Mara Rodrigues do Prado De Carlo.

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Segundo as especialistas, em vez de perguntar o que a pessoa ainda consegue fazer, é preciso saber o que é importante para ela. “Devem ser colocadas na mesa as cartas das possibilidades futuras a curto e médio prazos, seus valores e preferências, para reconhecer os caminhos factíveis que podem ser trilhados na nova realidade, com todas as suas urgências”, afirmam.

O que são cuidados paliativos?

De acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizada em 2002, os cuidados paliativos têm o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente e de seus familiares, diante de uma doença que ameaça a vida.

Isso acontece por meio da prevenção e do alívio do sofrimento, o que inclui “identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais”.

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Para atender a todas as necessidades do paciente e de seus familiares nesse contexto, o time de cuidados paliativos envolve uma equipe multiprofissional, que geralmente inclui enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, capelães, assistentes sociais, entre outros.

As escolhas sobre como o paciente quer viver devem orientar o plano de cuidados, que deve ser respeitado mesmo que ele perca a capacidade de expressar seus desejos. Em seu site, a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) cita alguns exemplos práticos de cuidados paliativos:

  • Os profissionais de cuidados paliativos podem acompanhar um paciente com câncer durante seu tratamento. A doença será cuidada pelo oncologista e o paciente será apoiado pela equipe de paliativistas;
  • Uma criança com paralisia cerebral será assistida por um neurologista, mas os cuidados paliativos podem fazer muito para amenizar os problemas que podem surgir com a menor mobilidade e também para aliviar a carga emocional e psicológica que possa pesar nos ombros dos pais.
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“Brincar com o filho, ir ao estádio assistir ao seu time do coração, reconectar-se com uma pessoa ou com um lugar, podem ser as escolhas realmente prioritárias no agora de alguém fragilizado pelo adoecimento”, exemplifica o artigo de VEJA sobre cuidados paliativos.

Em vídeo publicado em seu canal do YouTube Aviões e Músicas, Lito comenta o diagnóstico e afirma que, “apesar da notícia, que não é nada boa, o jogo só acaba quando termina”. A família do influenciador também segue tentando incluí-lo em estudos experimentais.

O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ)?

A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) faz parte do grupo das chamadas doenças priônicas, condições neurodegenerativas raras que são causadas pelos príons: partículas infecciosas proteicas (do inglês “Proteinaceous Infectious Particles“).

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Os príons surgem quando proteínas normalmente presentes no corpo alteram seu formato e se aglomeram no cérebro, causando doenças que podem afetar tanto humanos quanto animais. Em muitos casos, a origem da proteína anormal é desconhecida.

A forma mais comum de doença priônica que afeta humanos é a DCJ, um tipo de Encefalopatia Espongiforme Transmissível (EET) que acomete os humanos. O termo “espongiforme” se refere às alterações que a doença causa no cérebro, que passa a apresentar um padrão esponjoso.

Segundo o site do Ministério da Saúde, os sintomas são variáveis e inespecíficos, podendo ser confundidos com demências e transtornos neurológicos progressivos como Alzheimer ou a doença de Huntington. O quadro inicial geralmente inclui demência associada a outros sinais neurológicos, como:

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  • Desordem cerebral;
  • Perda de memória;
  • Tremores;
  • Ataxia (perda do equilíbrio motor) e afasia (dificuldade na fala);
  • Falta de coordenação motora;
  • Distúrbios visuais;
  • Espasmos musculares (mioclonia);
  • Alterações de comportamento.

O paciente apresenta uma piora rápida e progressiva após o início dos sinais e sintomas. Com a progressão do quadro, podem ocorrer ainda insônia, depressão, ataques epiléticos e paralisia facial.

Segundo a pasta, a degeneração progressiva das habilidades psicomotoras de pessoas acometidas pela DCJ é bem mais acelerada quando comparada com outras demências.

A forma mais comum de DCJ ocorre a uma taxa de 1 ou 2 novos casos por milhão de pessoas a cada ano em todo o mundo.

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2005 e 2021, foram registradas no Brasil 1. 576 notificações de casos suspeitos da condição, com registros mais frequentes nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.

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