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Kirchner tem o tipo mais comum de câncer da tireoide

Chances de cura chegam a 99% e dependem de fatores como tamanho do tumor e idade do paciente. É o nono tipo de câncer mais comum entre as mulheres

Por Natalia Cuminale Atualizado em 24 Maio 2016, 16h34 - Publicado em 28 dez 2011, 13h52

O tumor na tireoide que afeta a presidente da Argentina é o nono tipo de câncer mais comum entre as mulheres em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Foram registrados 163.968 casos em 2008. No Brasil, é o quarto, atrás do câncer de mama, colo do útero e do intestino. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, são mais de 10.000 novos casos por ano e as mulheres são três vezes mais suscetíveis a desenvolver a doença do que os homens. No mundo inteiro, foram registrados 49.211 casos entre homens em 2008.

TIREOIDE

A tireoide é uma pequena glândula que mede aproximadamente cinco centímetros de diâmetro e é localizada no pescoço. É responsável por produzir o hormônio tireoidiano, que regula o metabolismo. Quando uma pessoa produz esse hormônio em excesso, pode ter taquicardia, tremores, insônia, irritação, diarreia. Ou seja, tudo funciona demais no organismo. Se há falta do hormônio, ela se sente sonolenta, cansada, tem intestino preso e queda no batimento cardíaco. Ao retirar a tireoide, o paciente passa a tomar diariamente um medicamento com hormônio sintético capaz de realizar a função da glândula.

Grandes chances de cura – Cristina foi diagnosticada com um carcinoma papilífero, um tipo de tumor mais comum na glândula tireoide e com chances de cura bastante altas. De acordo com Luiz Paulo Kowalsky, diretor do núcleo de cirurgia de cabeça e pescoço do Hospital AC Camargo, as chances de cura variam entre 60% e 99%. A cura depende de fatores como idade do paciente, tamanho do tumor e extensão da doença.

Por exemplo, uma mulher com menos de 45 anos de idade, tumor menor que 4 centímetros e sem extensão para os órgãos fora da tireoide, possui 99% de chance de ficar livre da doença durante 20 anos de acompanhamento. Essas chances diminuem na proporção que aumentam os fatores de risco. Segundo o porta-voz de Kirchner, não há comprometimento dos gânglios linfáticos e não foi registrada metástase.

“O maior risco é o aparecimento de metástase em gânglios linfáticos. Cerca de 15% dos pacientes que tratam câncer da tireoide vão apresentar gânglios no pescoço. Nesse caso, é feito novo processo cirúrgico e outra iodoterapia (ingestão de iodo radioativo). Além disso, é muito raro ter metástase à distancia, em ossos, por exemplo”, diz Kowalsky.

Tratamento – O tratamento pode ser feito a partir de uma cirurgia para a extração total da tireoide. A operação consiste em um corte na parte baixa do pescoço com cerca de cinco centímetros. A cicatriz é quase imperceptível devido às técnicas de sutura, explica Kowalsky. Os riscos costumam ser baixos. Devido à proximidade com os nervos das cordas vocais, entre 2 a 3% dos pacientes podem apresentar rouquidão temporária que, na maioria dos casos, é reversível. Outra complicação está ligada ao dano na glândula paratiroide, que regula os níveis de cálcio no sangue.

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Além disso, os pacientes com câncer da tireoide podem ser submetidos a iodoterapia, um método que consiste na ingestão de cápsulas de iodo radioativo. O tratamento com iodo radioativo é capaz de localizar e combater qualquer metástase existente no corpo e também pode ser utilizado preventivamente. Ainda não se sabe se Cristina fará esse tipo de tratamento. Segundo as informações oficiais, a intervenção cirúrgica, que será realizada no dia 4 de janeiro, requer 72 horas de internação e 20 dias de recuperação.

“No caso da iodoterapia, as pessoas ficam em isolamento durante 48 horas para proteger os outros da radiação. Geralmente, o paciente sente poucos efeitos, como náuseas e inflamação nas glândulas salivares”, explica Kowalsky.

Aumento de casos – O câncer da tireoide está se tornando cada vez mais comum e representa 2,7% dos cânceres em mulheres no mundo todo. “Há um aumento muito grande da incidência ao redor do mundo. Há dez anos, eram 4,5 casos por 100.000 mulheres a cada ano. Hoje, a incidência é de 25 por 100.000”, diz Kowalsky.

Uma das justificativas é que houve um aumento no potencial de diagnóstico. Aparelhos de ultrassom conseguem encontrar nódulos muito pequenos. “Em regiões mais desenvolvidas, o número de diagnósticos é maior”, diz Marco Aurélio Kulcsar, cirurgião de cabeça e pescoço do Instituto do Câncer de São Paulo.

Prevenção – Do total dos tumores papilíferos, 5% podem ter relação com herança genética. A exposição à radiação nuclear, como o acidente em Chernobyl, também aumenta as chances do desenvolvimento desse tipo de câncer.

Outros estudos mais recentes apontam uma relação entre o tabagismo e o câncer de tireoide, mas o tema ainda é controverso, segundo Kulcsar. Há também pesquisas científicas que encontraram um elemento protetor contra esse tipo de câncer em vegetais crucíferos, como couve-flor, brócolis e repolho.

Os exames de sangue de rotina para avaliar a função da tireoide podem ajudar a diagnosticar o problema. A apalpação do pescoço permite encontrar nódulos maiores. Para Kulcsar, após os 30 anos de idade, as mulheres também podem fazer um ultrassom para detectar a existência de algum nódulo na região do pescoço. “É preciso esclarecer que a maioria da população tem nódulo na tireoide, só que a maior parte deles é benigna”, explica Kulcsar.

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