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Jovem que bebe em excesso pode ter depressão no futuro

Altas doses álcool alteram permanentemente a produção de hormônios que respondem ao estresse

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas na adolescência pode provocar doenças como ansiedade e depressão no futuro, segundo estudo realizado na Universidade Loyola, em Chicago. De acordo com a pesquisa, altas doses de álcool alteram permanentemente a produção de hormônios que respondem ao estresse.

Os resultados, apresentados durante o encontro anual da Sociedade de Neurociência, revelam que essa alteração pode levar a transtornos de comportamento e de humor na idade adulta. “A exposição dos jovens ao álcool poderia alterar permanentemente as ligações no cérebro que precisam ser feitas para garantir uma função cerebral saudável no futuro”, diz Toni Pak, autor da pesquisa.

O estudo examinou em ratos os efeitos a longo prazo na produção do hormônio equivalente ao cortisol, que responde a situações físicas e psicológicas de estresse. A exposição crônica ao hormônio está relacionada à depressão e à problemas cardiovasculares.

Padrão binge Para realizar a pesquisa, os cientistas adotaram o padrão binge (em inglês, binge significa bebedeira) de consumo. O binge é caracterizado pela ingestão de quatro ou mais doses de álcool em uma única ocasião, no caso de mulheres, e cinco, no caso dos homens, sendo que uma dose contém pelo menos 14 gramas de etanol – valor correspondente a cinco latas de cerveja.

O levantamento mostrou ainda que as cobaias que receberam álcool durante a adolescência tiveram um aumento significativamente maior no hormônio que responde ao estresse do que aqueles que receberam a mesma quantidade enquanto eram adultos. Além disso, os ratos que ficaram sóbrios durante a adolescência tiveram uma base menor do hormônio.

Os autores acreditam que os resultados sugerem que a exposição ao álcool durante a puberdade altera permanentemente o sistema pelo qual o cérebro produz hormônios de resposta ao estresse.