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Jogos de videogame que exigem movimentos não fazem com que crianças se exercitem mais

Pesquisa observou que não há diferença nos níveis de atividades físicas diárias em jovens que têm acesso a esse tipo de jogo

Jogar videogame que exige movimentos ativos não necessariamente significa que as crianças estão cumprindo as recomendações diárias de exercícios físicos, afirma um novo estudo publicado nesta segunda-feira no periódico Pediatrics. A pesquisa observou que a intensidade das atividades não foi maior nos jovens que tinham acesso a esse tipo de jogo em relação àqueles que jogavam videogame parados.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Impact of an Active Video Game on Healthy Children’s Physical Activity

Onde foi divulgada: periódico Pediatrics

Quem fez: Tom Baranowski, Dina Abdelsamad, Janice Baranowski, Teresia Margareta O’Connor, Debbe Thompson, Anthony Barnett, Ester Cerin e Tzu-An Chen

Instituição: Universidade de Baylor, Estados Unidos

Dados de amostragem: 78 crianças de 9 a 12 anos que estavam acima do peso

Resultado: Crianças que têm acesso a jogos de videogames que exigem movimentos ativos não fazem mais atividades físicas diárias do que aquelas que jogam jogos sedentários

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Baylor, no Texas, Estados Unidos, deram aparelhos de videogame a 78 crianças. Elas tinham entre 9 e 12 anos e todas estavam acima do peso médio para a idade. Para metade dos participantes, foram distribuídos jogos que exigiam movimentos ativos da criança, como dançar ou pular, e para a outra metade, jogos inativos que poderiam ser jogados por uma pessoa parada e sentada no sofá, por exemplo.

Os autores do estudo acompanharam os jovens durante 13 semanas, calculando os níveis de atividade física dos participantes por meio de um acelerômetro, que mede a intensidade dos exercícios. As crianças utilizaram o aparelho em quatro períodos diferentes do dia para que os pesquisadores pudessem comparar os jovens em momentos sedentários, em momentos em que jogavam videogame e em outras atividades mais intensas do dia-a-dia.

Resultados – Após as 13 semanas, os cientistas observaram que o grupo das crianças que receberam jogos ativos realizou uma média de 25 a 28 minutos ao dia de atividades físicas moderadas ou intensas. Esse tempo variou entre 26 e 29 minutos em relação ao grupo dos jogos inativos. Ou seja, a diferença dos tipos de jogos não implicou o aumento da intensidade dos exercícios diários. Além disso, não houve diferenças nos níveis de atividades leves ou sedentárias.

Saiba mais

ATIVIDADE FÍSICA INFANTIL

De acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), órgão de saúde dos Estados Unidos, crianças e adolescentes devem praticar pelo menos 60 minutos de atividade física ao dia. Esses exercícios podem ser aeróbicos de intensidade moderada, como caminhadas, ou intensa, como corridas. As atividades intensas que fortalecem os músculos e os ossos devem ser praticadas ao menos três vezes na semana.

“Nós esperávamos que, ao terem acesso a jogos ativos, as crianças apresentariam aumento significativo nos níveis de atividade física diária, mas os resultados nos impressionaram”, afirmou à agência Reuters Tom Baranowisk, coordenador do estudo. De acordo com os pesquisadores, uma explicação pode estar no fato de que, por já terem se exercitado com esse tipo de jogo, as crianças deixam de realizar diferentes atividades intensas em outros momentos do dia.

Embora os pesquisadores reconheçam que os resultados não sejam definitivos, eles acreditam que esse tipo de videogame, ainda que possa proporcionar queima de calorias, não oferece benefícios à saúde do jovem. Entretanto, eles afirmam que uma criança não precisa deixar de jogar esse tipo de videogame, desde que não abandone outras atividades físicas mais intensas.