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Jogar futebol ajuda a reduzir pressão sanguínea

Estudo realizado com homens hipertensos mostrou redução da pressão arterial e da gordura corporal naqueles que praticaram o esporte

Jogar futebol ajuda a normalizar a pressão sanguínea e reduzir o risco de enfarte em homens hipertensos. É o que mostra uma pesquisa realizada pela Universidade de Exeter, na Inglaterra, e pela Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, publicada na edição deste mês do periódico Medicine and Science in Sports and Exercise.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Soccer Improves Fitness and Attenuates Cardiovascular Risk Factors in Hypertensive Men

Onde foi divulgada: periódico Medicine and Science in Sports and Exercise

Quem fez: Krustrup P, Randers MB, Andersen LJ, Jackman SR, Bangsbo J, Hansen PR.

Instituição: Universidade de Exeter e Universidade de Copenhagen

Dados de amostragem: 33 homens de 33 a 54 anos, com hipertensão leve a moderada

Resultado: O grupo que treinou futebol durante duas sessões semanas de uma hora cada apresentou o dobro de redução da pressão arterial em relação ao grupo de controle, além da perda de, em média, dois quilos de gordura corporal.

Participaram da pesquisa 33 homens com idade entre 33 e 54 anos, que sofrem de hipertensão leve a moderada. Eles foram divididos em dois grupos: o primeiro começou a participar de treinos de futebol com uma hora de duração duas vezes por semana e o segundo recebeu acompanhamento médico comum, incluindo orientações sobre a importância de atividade física e alimentação saudável, além do controle da pressão sanguínea.

Depois de seis meses seguindo a nova rotina, o grupo que jogou futebol apresentou uma redução na pressão sanguínea duas vezes maior do que a do outro grupo. O consumo máximo de oxigênio, capacidade máxima do corpo transportar oxigênio durante atividade física, teve um aumento de 10%, a frequência cardíaca durante o repouso foi reduzida em oito batimentos por minuto e a gordura corporal diminuiu em média dois quilos. Nenhuma dessas alterações foi encontrada no grupo de controle.

De acordo com Peter Krustrup, pesquisador da Universidade de Exeter e um dos realizadores da pesquisa, esse foi o primeiro estudo a mostrar que o futebol pode contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares em homens hipertensos. “Treinar futebol tornou mais fácil a realização de treinos mais intensos, além de facilitar a execução de atividades cotidianas, como pedalar, subir escadas, fazer compras e aparar a grama”, diz o pesquisador.

A equipe pretende investigar ainda os efeitos da prática de futebol na estrutura e funcionamento no coração, além de aplicar a pesquisa em mulheres com hipertensão.

Preparação prévia – A cardiologista Luciana Janot, do centro de reabilitação do Hospital Albert Einstein, alerta para o fato de que o futebol é considerado um exercício de alta intensidade e sua prática requer uma preparação prévia. “O futebol é um esporte de contato e de arranques de velocidade. É importante que quem o pratica tenha um condicionamento cardiovascular aeróbico adequado, além de um fortalecimento da musculatura, principalmente dos membros inferiores”, afirma.

De acordo com Luciana, o que costuma ser indicado para pacientes hipertensos são exercícios moderados e contínuos, como caminhadas. A prática de atividades intensas sem preparo físico aumenta o risco de enfarte, principalmente em pessoas que apresentam pressão alta ou colesterol. “Isso não quer dizer que o hipertenso não possa realizar essas atividades mais intensas. Ele pode se estiver com a pressão controlada e tiver condicionamento físico”, afirma a cardiologista.

Saiba mais

EXERCÍCIO MODERADO

Uma atividade física é considerada moderada quando a sua realização faz a pessoa atingir entre 50 e 70% da frequência cardíaca de reserva, que corresponde à diferença entre a frequência cardíaca máxima e a frequência cardíaca de repouso. Um jeito simples de calcular um valor aproximado é fazer a conta: 220 – a idade da pessoa. Assim, um exercício considerado leve é o que mantém os batimentos cardíacos em menos de 50% desse valor, e o exercício intenso chega a mais de 70%.