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Injeção semestral para prevenir o HIV mantém eficácia perto de 100%

Lenacapavir não registrou novas infecções em mulheres cisgênero após um ano de acompanhamento; remédio ainda não chegou ao SUS

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jul 2026, 18h00 | Atualizado em 22 jul 2026, 14h51
Injeção semestral para prevenir o HIV mantém eficácia perto de 100% Priorizar nos meus resultados Google

Uma injeção aplicada apenas duas vezes ao ano se mostrou altamente eficaz na prevenção do HIV, segundo novos resultados de estudos que avaliaram o uso do medicamento lenacapavir. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 21, e serão formalmente apresentados na AIDS 2026, a Conferência Internacional de AIDS que será realizada no Rio de Janeiro entre 26 e 31 de julho.

A pesquisa avaliou uma opção de prevenção de longa duração que pode substituir o uso diário de comprimidos contra o HIV. Os resultados vêm dos estudos PURPOSE 1 e PURPOSE 2, que acompanharam diferentes grupos de pessoas na África, América Latina e Estados Unidos.

No estudo PURPOSE 1, que incluiu mulheres cisgênero da África do Sul e de Uganda, nenhuma participante que recebeu o lenacapavir teve infecção pelo HIV durante as primeiros 52 semanas da fase de extensão da pesquisa, período equivalente a um ano de acompanhamento.

Já considerando todo o período de acompanhamento desde o início do estudo, com mais de 7.178 anos-pessoa de seguimento, houve apenas um caso de infecção entre participantes que receberam o medicamento durante a fase inicial do ensaio.

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A adesão às aplicações foi de 96% após um ano de acompanhamento, e os pesquisadores não identificaram novos problemas de segurança relacionados ao medicamento.

O estudo PURPOSE 2, por sua vez, avaliou homens cisgênero e pessoas de gênero diverso na Argentina, Brasil, México, Peru, África do Sul, Tailândia e Estados Unidos. Desde o início da pesquisa, quatro participantes que receberam lenacapavir adquiriram HIV, em um acompanhamento que ultrapassou 5.295 anos-pessoa.

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Três desses casos ocorreram durante a fase inicial do estudo, quando os participantes ainda não sabiam qual tratamento estavam recebendo. O quarto foi registrado na fase de extensão, já com o uso do medicamento injetável. Entre os participantes que trocaram a prevenção oral diária pelo lenacapavir, a adesão às aplicações após 52 semanas foi de 92%.

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Alternativa aos comprimidos diários

O lenacapavir é uma opção de profilaxia pré-exposição (PrEP), estratégia que utiliza medicamentos para reduzir o risco de infecção pelo HIV em pessoas que não têm o vírus.

Atualmente, a PrEP é oferecida principalmente na forma de comprimidos de uso diário. A nova opção busca reduzir a frequência das doses e facilitar a adesão para pessoas que têm dificuldade em manter uma rotina diária de medicação.

O medicamento já foi aprovado por autoridades regulatórias de diferentes países com base nos resultados anteriores dos estudos PURPOSE 1 e 2. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o lenacapavir, comercializado como Sunlenca, para profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV-1 em adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg.

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Apesar da aprovação regulatória, o medicamento ainda não está disponível na rede pública. Para ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), o lenacapavir precisa passar por avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e posterior decisão do Ministério da Saúde. O produto também depende da definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para a comercialização no país.

Segundo Beatriz Grinsztejn, presidente da Sociedade Internacional de AIDS (IAS) e pesquisadora do estudo PURPOSE 2, ampliar o acesso ao medicamento será um dos principais desafios, especialmente na América Latina. “Se for disponibilizado onde é mais necessário, o lenacapavir para prevenção do HIV tem potencial para ajudar a reduzir a pandemia global”, afirmou a pesquisadora.

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