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Indústria do tabaco promove ataques cada vez mais agressivos, segundo OMS

Às vésperas do Dia Mundial sem Tabaco, representantes do órgão reforçam importância de iniciativas contra tabagismo entre jovens

Por Da Redação - 30 May 2012, 11h45

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou nesta quarta-feira que segue firme na guerra contra a indústria do tabaco, acusada de usar a “intimidação” e de lançar “ataques cada vez mais agressivos” para debilitar as políticas públicas contra o cigarro. Em entrevista coletiva realizada às vésperas do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado nesta quinta, Douglas Bettcher, diretor da Iniciativa Livre de Tabaco da OMS, pediu unidade para resistir às artimanhas da indústria tabagista, que, por sua vez, tenta “atingir” grupos de consumidores cada vez mais jovens. “Temos que ser aliados nesta batalha contra a interferência da indústria do tabaco. A OMS rejeita terminantemente suas tentativas de intimidação e todas suas sujas artimanhas”, declarou Bettcher.

O consumo de tabaco no mundo permanece estável, com 20% da população mundial. Entre os homens, a prevalência é de 38%, enquanto entre as mulheres é de 10%. “Em termos absolutos, o número de fumantes gira em torno 1,1 bilhão em nível mundial, destacando uma tendência específica ao aumento do consumo entre mulheres jovens da América Latina, Europa e algumas partes da Ásia”, apontou outro analista da OMS na luta contra o tabaco, Armando Peruga. Segundo Peruga, essas regiões citadas registram cada vez mais casos de adolescentes, entre 13 e 15 anos, “viciados em nicotina”, sendo que o consumo do tabaco é diretamente responsável por doenças que causam a morte de 6 milhões de pessoas ao ano.

No último século, de acordo com Bettcher, o tabaco provocou a morte de 100 milhões de pessoas. Seguindo as projeções, o século XXI poderia registrar a morte de 1 bilhão de pessoas por causa do tabaco. No entanto, as vítimas dessa indústria não são somente os fumantes, mas também todos aqueles que inalam a fumaça produzida por outros. Um recente estudo citado por Peruga revela que 300 mil pessoas no mundo morrem anualmente por causas relacionadas à exposição da fumaça do tabaco e que, deste número, 120 mil são crianças menores de cinco anos.

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Ofensiva da indústria – Em termos de interferência da indústria com os processos legislativos nacionais, Peruga citou os esforços que as companhias de tabaco fazem para impedir que a Austrália introduza um novo pacote padrão para os maços de cigarros. A partir de outubro, o governo australiano deve aplicar uma nova legislação que impedirá que as empresas utilizem cores ou desenhos atrativos em torno de seus logotipos. Dentro desta nova lei, os maços terão um padrão único para todas as marcas.

A Nova Zelândia e a Grã-Bretanha já declararam publicamente sua intenção de adotar uma medida similar, em relação a apresentação dos maços de cigarros, em um prazo de dois anos. “A indústria está desesperada porque estão perdendo suas opções de espaços para fazer propaganda de seus produtos”, disse Bettcher.

Dia sem cigarro – Um estudo feito recentemente por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins mostrou que, no Dia Mundial sem Tabaco, a procura por informações na internet sobre como parar de fumar, assim como a divulgação de notícias sobre o assunto, aumentam em até 84% em países da América Latina. Segundo os pesquisadores, essa é uma das primeiras vezes em que são estabelecidas evidências sobre os impactos da data no comportamento dos fumantes. Esse trabalho foi publicado na edição deste mês no periódico Journal of Medical Internet Research.

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(Com agência EFE)

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