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Indústria do amianto pede explicação a médico

Por AE

São Paulo – O Instituto Brasileiro de Crisotila, fundado por empresários da indústria do amianto, está interpelando judicialmente o médico sanitarista Hermano Albuquerque de Castro a respeito de declarações e artigos publicados por ele. Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz desde 1986, Castro estuda os efeitos do amianto na saúde desde a década de 1970.

Para a comunidade científica, a interpelação judicial é uma tentativa de intimidar o pesquisador. A entidade nega. Castro soube da interpelação anteontem. No documento, a entidade questiona a “pesquisa ou base de dados de cunho científico” para artigos e entrevistas publicados em 2008. A medida judicial surpreendeu o pesquisador. “É uma interpelação extemporânea. Sinto-me extremamente constrangido com a ação. Você fica parecendo um criminoso”.

O sanitarista acompanha pacientes com doenças respiratórias no ambulatório de pneumologia do Centro de Saúde do Trabalhador da Fiocruz. Em 1990, notificou o primeiro caso de asbestose (fibrose pulmonar crônica e irreversível) de uma trabalhadora da indústria do amianto.

Tanto a Fiocruz quanto o Instituto Nacional do Câncer (Inca) divulgaram nota em defesa de Castro. “Estudos da Organização Mundial de Saúde e da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer atestam que o amianto é uma fibra cancerígena, assim como a Resolução 348 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que o considera um resíduo perigoso e cancerígeno para aqueles que o manipulam”, diz o texto da Fiocruz. O produto já foi banido de 58 países.

O documento informa que será promovida uma teleconferência pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, que reunirá profissionais de saúde que lidam com o tema, para produzir um documento “sobre os problemas causados pela manipulação do amianto em trabalhadores do setor”.

Questionamento. O Instituto Brasileiro de Crisotila questiona declarações de Castro segundo as quais o amianto prejudicaria também a saúde do consumidor, não somente a do trabalhador que o manipula. “Não há tentativa de inibir o pesquisador. Mas ele tem o dever de esclarecer qual é a base científica para essas declarações e esse esclarecimento tem de chegar à sociedade”, afirmou o advogado Antonio Telles de Vasconcellos. Segundo ele, há estudos científicos que mostram que não há efeito negativo para o consumidor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

AE