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Implante anual de Ozempic: depois das canetas, chips são a nova promessa para tratar diabetes e obesidade

Cientistas tentam viabilizar um implante subcutâneo com ação de até um ano; dona do Ozempic já tem projetos na área

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jul 2026, 14h30 | Atualizado em 13 jul 2026, 16h32
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Poucas doenças foram alvo de tanta inovação nos últimos anos como o diabetes e a obesidade. Ainda assim, pacientes esbarram em diversos obstáculos para manter o tratamento. Foi pensando nisso que pesquisadores começaram a desenvolver implantes de longa duração com o princípio ativo de Ozempic e companhia. Sim, depois das canetas, os chips.

Em parceria com o laboratório dinamarquês Novo Nordisk, a biofarmacêutica americana Vivani Medical anunciou, em comunicado oficial, o desenvolvimento do NPM-139, um implante subcutâneo miniaturizado capaz de liberar semaglutida — a molécula do Ozempic e do Wegovy — de forma contínua por até um ano, a partir de uma única aplicação.

Canetas emagrecedoras e o futuro da luta contra obesidade

Segundo a própria Vivani, a falta de adesão ao tratamento medicamentoso é um fenômeno que atinge cerca de metade dos pacientes com diabetes e obesidade — incluindo aqueles que tomam comprimidos diários, não só quem depende de injeções semanais.

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No caso dos medicamentos à base de GLP-1, essa dificuldade é amplificada por efeitos colaterais gastrointestinais, pelo desconforto repetido das aplicações e pela exigência de disciplina de longo prazo. É justamente esse gargalo que as empresas tentam resolver com uma abordagem diferente: em vez de depender da memória e da tolerância do paciente semana após semana, o tratamento passaria a ser administrado uma única vez, com efeito prolongado.

Como funciona o implante

O NPM-139 utiliza uma plataforma proprietária da Vivani, batizada de NanoPortal, projetada para liberar moléculas terapêuticas de forma estável e previsível ao longo de meses. O desafio técnico não é trivial: a semaglutida é um peptídeo grande e solúvel em água, uma classe de moléculas historicamente difícil de estabilizar em sistemas de liberação prolongada sem gerar picos de concentração — momentos em que uma quantidade excessiva do fármaco é liberada de uma só vez, aumentando o risco de efeitos colaterais.

Segundo Adam Mendelsohn, Ph.D., presidente-executivo da Vivani, a expectativa é que o dispositivo permita “um perfil farmacocinético mais suave”, sustentando o efeito terapêutico sem os picos e vales característicos das injeções semanais.

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A aposta no implante de semaglutida se apoia em resultados de um estudo anterior com uma molécula relacionada. O LIBERATE-1, primeiro teste em humanos da plataforma NanoPortal, avaliou um implante de exenatida (outro agonista do receptor de GLP-1) em 24 voluntários australianos com sobrepeso ou obesidade.

Os resultados, divulgados pela companhia, mostraram um perfil de segurança e tolerabilidade favorável, sem eventos adversos graves e sem evidência de liberação abrupta do medicamento — um dado técnico importante, porque sugere que a tecnologia de fato consegue controlar a velocidade de absorção ao longo do tempo.

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Já em experimentos pré-clínicos com roedores, um único implante de NPM-139 manteve redução de peso em torno de 20% em relação ao grupo controle por mais de um ano — o período mais longo já relatado pela empresa para esse tipo de dispositivo. É um resultado em animais, portanto ainda distante de qualquer conclusão sobre eficácia em pessoas, mas que embasou a decisão de avançar para testes clínicos.

Próxima etapa: testes em humanos

O estudo SLIM-1, também conduzido na Austrália, vai comparar o implante de semaglutida a injeções semanais de Wegovy em baixa dose em 20 adultos com sobrepeso ou obesidade. O objetivo declarado não é ainda demonstrar eficácia para perda de peso — isso ficará para uma próxima etapa —, mas sim caracterizar segurança, farmacocinética e tolerabilidade do dispositivo em humanos. Resultados preliminares são esperados até o fim de 2026.

Vale reforçar: o NPM-139 está em estágio inicial de desenvolvimento clínico, e qualquer eventual chegada ao mercado — no Brasil ou no exterior — depende da conclusão bem-sucedida de fases clínicas ainda não iniciadas, além da análise de agências regulatórias como a FDA e, no caso brasileiro, a Anvisa.

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Esse processo costuma levar vários anos mesmo após resultados clínicos positivos. Diante disso, ainda é cedo para avaliar seu real impacto — a adoção dependerá tanto da comprovação de eficácia em estudos maiores quanto da aceitação de pacientes e médicos a um procedimento minimamente invasivo, ainda não testado em larga escala.

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