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IBGE: 1 em cada 7 adolescentes já foi abusado sexualmente no Brasil

A nova edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) sugere que o cenário pode ter piorado durante a pandemia

Por Giulia Vidale 10 set 2021, 17h50

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, divulgada nesta sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra um grave cenário de vulnerabilidade e abuso entre adolescentes no Brasil. De acordo com o estudo, 14,6% ou 1 em cada 7 adolescentes sofreu abuso sexual alguma vez na vida.

A violência sexual atinge mais meninas (20,1%) do que meninos (9%). Além disso, 6,3% dos estudantes de 13 a 17 anos informaram que foram obrigados a manter relação sexual contra a vontade alguma vez na vida, sendo 3,6% dos meninos e 8,8% das meninas.

Os dados foram coletados em 2019 e, portanto, antes da pandemia. De acordo com o estudo, esse cenário pode ter se intensificado nesse período. “A pandemia trouxe grandes dificuldades para os adolescentes do mundo todo. A falta de acesso à escola, além da significativa perda de aprendizagem, pode significar também a perda de proteção contra perigos como violência doméstica e abuso infantil ou até a perda da única refeição balanceada que tinham. Tornou-se mais difícil para os adolescentes manter práticas de exercícios, intensificando os quadros de desânimo, tristeza, ansiedade e ausência de amigos”, diz o estudo.

A pesquisa mostra também que quase um em cada dez adolescentes (10,6%) envolveu-se em lutas físicas e 2,9%, em briga com arma de fogo. Dentro de casa, também há relatos de violência: 21% afirmaram ter sido agredidos pelo pai, mãe ou responsável alguma vez nos 12 meses anteriores ao estudo.

Bullying

Aproximadamente um em cada dez adolescentes já se sentiu ameaçado, ofendido e humilhado em redes sociais ou aplicativos. O cenário é pior para meninas (16,2%) do que para meninos (10,2%). As agressões existem também fora da internet. Na escola, 23% dos estudantes afirmaram ter sido vítimas de bullying, ou seja, sentiram-se humilhados por provocações feitas por colegas. Quando questionados sobre o motivo, os três principais fatores apontados foram aparência do corpo (16,5%), aparência do rosto (11,6%) e cor ou raça (4,6%).

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Em relação à saúde mental, metade dos estudantes disse se sentir muito preocupado com as coisas comuns do dia a dia. Um em cada cinco afirmou que a vida não valia a pena ser vivida. Entre as meninas, esse percentual é 29,6% e, entre os meninos, 13%. Os resultados mostram ainda insatisfação com o próprio corpo. Menos da metade achava o corpo normal, 28,9% se achavam magros ou muito magros e 20,6%, gordos ou muito gordos.

Infraestrutura

A PeNSE traz também dados sobre a infraestrutura disponível para os estudantes, tanto nas escolas quanto em casa. Os resultados mostram que menos da metade os alunos das escolas públicas tem computador em casa, enquanto entre os alunos das escolas privadas esse percentual é de 89,6%. Quase a totalidade (95,7%) dos alunos de escolas privadas tem aparelhos celulares. Entre os alunos de escolas públicas, esse percentual é 82,2%. Entre os estudantes de escolas particulares, 98,6% têm internet em casa. Entre os alunos de escolas públicas, 84,9%.

A PeNSE mostra ainda que 61,5% dos estudantes de 13 a 17 anos estudam em escolas com pia ou lavatório em condições de uso e que oferecem sabão para lavagem das mãos. Nas escolas privadas esse percentual chega a 97,5% e, nas públicas, a 55,4%.

A lavagem das mãos é reconhecida como importante medida de saúde pública, por sua eficácia em reduzir a incidência de doenças infectocontagiosas. Nas escolas, a importância da disponibilização da estrutura necessária à lavagem é dupla: por ser um ambiente de aprendizagem de hábitos saudáveis e pela própria prevenção de transmissão de doenças entre os alunos.

Ao todo, foram entrevistados quase 188.000 estudantes, com idade entre 13 e 17 anos, em 4.361 escolas de 1.288 municípios de todo o país. O grupo representa 11,8 milhões de estudantes brasileiros. A coleta dos dados foi feita antes da pandemia, entre abril e setembro de 2019.

Com Agência Brasil

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