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Hormônio é usado para tratar a depressão

Em pesquisas com ratos, a adiponectina, hormônio também presente em humanos, se mostrou eficiente no tratamento da depressão e mostrou potencial para ser usada principalmente em pacientes que têm diabetes

Por Da Redação - 9 jul 2012, 16h51

Pesquisadores da Universidade do Texas descobriram que um hormônio presente nos ratos ajuda a aliviar os sintomas da depressão nesses animais. Eles testaram o papel da adiponectina, um hormônio produzido pelo tecido adiposo e também presente nos humanos, no controle da depressão. O estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Adiponectin is critical in determining susceptibility to depressive behaviors and has antidepressant like activity

Onde foi divulgada: revista Proceedings of the National Academy of Sciences

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Quem fez: Jing Liu, Ming Guo, Di Zhang

Instituição: Universidade do Texas

Dados de amostragem: Ratos submetidos a 14 dias de stress

Resultado: Depois dos 14 dias, os animais começaram a apresentar sinais de depressão, como um declínio na interação social. Nesses ratos, os níveis do hormônio adiponectina estavam muito menores do que o normal.

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A adiponectina é responsável por controlar o metabolismo do açúcar e da gordura no corpo e é capaz de atravessar a barreira hematoencefálica. Segundo os pesquisadores, ela tem propriedades antidiabéticas – quanto menor for seu nível no sangue, maiores são as chances de o indivíduo ter diabetes tipo 2. Estudos anteriores mostraram que pacientes com esse tipo de diabetes tinham duas vezes mais chance de sofrer de depressão. A partir desses dados, os cientistas resolveram pesquisar se havia alguma relação entre os níveis do hormônio e a doença.

Para isso, os autores submeteram ratos a 14 dias de stress seguidos. Eles introduziram os animais em gaiolas que continham um rato maior e mais agressivo, onde foram fisicamente derrotados. Depois da derrota, os ratos permaneceram na gaiola, mas foram separados por um divisor plástico que permitia contato visual, auditório e olfativo com seu agressor. A cada 24 horas, o procedimento era repetido. No final dos 14 dias, os ratos apresentavam sintomas de depressão, como aversão ao convívio social.

Dois dias depois do último encontro com o agressor, os pesquisadores mediram os níveis de adiponectina no sangue desses ratos. A depressão coincidiu com uma queda nos níveis do hormônio no sangue.

Depois disso, os cientistas compararam o comportamento de ratos normais com ratos geneticamente modificados, que possuíam deficiência nos níveis da adiponectina. Os últimos demonstraram maior predisposição a sintomas relacionados com a depressão, como a aversão social, pouco estímulo por recompensas e desamparo, recusando oportunidades de melhorar suas circunstâncias.

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Por último, os pesquisadores injetaram o hormônio no cérebro de ratos normais e diabéticos, e viram que ele teve um efeito antidepressivo. Como resultado, o estudo concluiu que a adiponectina tem um grande potencial terapêutico para tratar a depressão, principalmente em pacientes com diabetes.

Saiba mais

BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA

Estrutura em forma de membrana que protege o cérebro contra substâncias químicas presentes no sangue. Ela é semipermeável, impedindo a passagem de algumas substâncias e aceitando a de outras, permitindo assim que o órgão funcione normalmente. Apesar de seu efeito protetor, a barreira atrapalha a ação de drogas que pretendam agir diretamente no cérebro, como remédios contra a depressão.

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DIABETES TIPO 2

Enquanto a diabetes tipo 1 ocorre pela falta da produção de insulina, na do tipo 2 a insulina continua a ser produzida normalmente, mas o organismo desenvolve resistência ao hormônio. É causada por uma mistura de fatores genéticos e pelo estilo de vida: 80% a 90% das pessoas que têm o tipo 2 da diabetes são obesas.

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