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Homem com problema de fertilidade tem mais risco de ter câncer de próstata

Estudo mostra que esse relação pode estar relacionada a anormalidades no cromossomo Y, responsável pela determinação do sexo masculino

Por Redação Atualizado em 26 set 2019, 16h39 - Publicado em 26 set 2019, 16h23

Pesquisadores suecos descobriram que pode existir uma relação entre a infertilidade masculina ou problemas de fertilidade e o câncer de próstata. O novo estudo avaliou a saúde de homens que procuraram clínicas de reprodução assistida e descobriu que eles estão duas vezes mais propensos a desenvolver a doença. Aqueles que conceberam por meio da fertilização in vitro apresentaram risco 33% maior de ter câncer de próstata em algum momento da vida – esse número subiu para 51% quando analisado o risco de desenvolver o problema antes dos 55 anos. 

A fertilização in vitro é um método que permite ao óvulo ser fecundado pelo espermatozoide em laboratório. Se houver formação de embriões de qualidade, uma parte deles é implantada no útero da mulher. Outro método comum para tratar a infertilidade masculina é a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI, na sigla em inglês), processo em que o espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo. Essa técnica costuma ser utilizada para homens com formas mais graves de infertilidade. Nestes casos, o risco de câncer é ainda maior: 64% – valor que sobe para 86% em casos de diagnóstico antes dos 55 anos. 

O estudo, publicado esta semana no British Medical Journal, sugere que essa relação possa ser causada por anormalidades no cromossomo Y, responsável pela determinação do sexo masculino. “Homens que recorrem a reprodução assistida para terem filhos parecem estar em maior risco de câncer de próstata. Portanto, os médicos devem sugerir o rastreamento precoce da doença, o que pode garantir diagnóstico e tratamento precoce, aumentado a chance de sobrevida e cura”, comentou Yahia Al-Jebari, da Universidade de Lund, na Suécia, ao The Telegraph

  • Segundo a AFP, o câncer de próstata afeta 10% da população masculina ocidental  – da qual os homens brasileiros fazem parte -, enquanto a infertilidade atinge 8%.

    Apesar dos resultados, os cientistas ressaltam que o problema não está na procura pela reprodução assistida (não é isso que aumenta o risco de câncer) e sim o motivo que leva os homens. Ou seja, a infertilidade. “Qualquer órgão do corpo humano que não funcione adequadamente é mais suscetível a doenças”, destacou Charles Kingsland, da Clínica Care Fertility, no Reino Unido, ao The Telegraph

    O estudo

    Para chegar a esta conclusão, os pesquisadores acompanharam 1,2 milhões de gestações entre 1994 e 2014, identificando os pais que foram diagnosticados com câncer de próstata até 20 anos após o nascimento das crianças. Ao final do acompanhamento, a equipe verificou que entre os homens que tiveram filhos por meios naturais a taxa de câncer foi de 0,28%. Já aqueles que procuraram clínicas de fertilidade a taxa de câncer foi de 0,37%.

    “Nos últimos anos, vários estudos indicaram que o diagnóstico de infertilidade masculina – devido a uma baixa contagem de espermatozoides ou baixa motilidade – pode ser um possível marcador de futuras condições de saúde em homens”, explicou Allan Pacey, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, ao The Telegraph

  • Críticas

    Embora os resultados sejam interessantes e possam lançar uma alerta à população masculina que sofre com problemas de fertilidade, especialistas em câncer de próstata fazem algumas críticas ao estudo. Eles destacaram a importância de realizar mais pesquisas antes de “tirar conclusões precipitadas”. Para os críticos, é necessário analisar homens de diversas idades para compreender melhor o papel da infertilidade – e procura pelo tratamento – no risco de câncer.

    “É importante que todos os homens estejam cientes dos riscos de câncer de próstata, e aqueles que estiverem preocupados devem falar a respeito com o médico. No entanto, casais que consideram o tratamento de fertilidade não devem se deixar levar por esses resultados”, concluiu Simon Grieveson, da Prostate Cancer UK, no Reino Unido, à BBC

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