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Hepatite fulminante pode chegar ao Brasil, diz professor da Unifesp

André Ibrahim David afirma que país precisa estar preparado para manifestação que causou uma morte e levou a 17 transplantes de fígado em crianças

Por Paula Felix Atualizado em 2 Maio 2022, 22h43 - Publicado em 2 Maio 2022, 22h41

Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre casos de hepatite fulminante de origem desconhecida e que acometia principalmente crianças no mês passado, especialistas tentam decifrar o que está desencadeando a doença, que causou uma morte e fez com que 17 pacientes precisassem de transplante de fígado. A OMS trabalha com a linha de que o problema foi causado por infecções por adenovírus, que causa doenças gastrointestinais e respiratórias, mas investiga alimentos, substâncias tóxicas e agentes ambientais.

A hepatite é uma inflamação que atinge o fígado e, na maioria dos episódios, é causada por vírus, mas pode ter relação com uso de substâncias tóxicas, incluindo medicamentos, consumo de álcool, doenças hereditárias e distúrbios autoimunes. Os principais sintomas são icterícia (cor amarelada na pele ou nos olhos), diarreia, dor abdominal e vômito. No caso das crianças acometidas nestes episódios, a doença não é explicada pelos tipos de hepatite – A, B, C, E e D (quando aplicável) – ou outras doenças virais.

Até o momento, segundo o último levantamento da OMS, são acompanhados cerca 170 registros em 11 países, entre eles: Reino Unido, Espanha, Israel, Estados Unidos, Dinamarca e Itália.

Com registros da doença nos Estados Unidos, pesquisadores têm se questionado se casos podem ser registrados em outras localidades. Para André Ibrahim David, referência em transplantes de fígado que é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e cirurgião do aparelho digestivo, é possível que isso ocorra e que haja notificação de casos no Brasil.

“Vai acabar tendo, a gente faz parte do mundo e o fluxo Europa-Brasil e Estados Unidos-Brasil é muito grande. Acredito que vai chegar no Brasil e a gente tem de estar preparado”, disse em entrevista a VEJA. Leia os principais trechos abaixo.

– A OMS está investigando a possibilidade de relação entre os casos desta hepatite misteriosa com adenovírus. O que já se sabe sobre isso? 

O que a gente tem informação é o que está sendo divulgado pela OMS, porque não tem nenhum trabalho científico publicado. Deve ter relação com agente infeccioso viral. É um quadro com elevação das enzimas hepáticas, icterícia, muito parecido com hepatite A, que é de transmissão oral. Se for adenovírus, não é o normal, é o subtipo 41 (associado a episódios de gastroenterite).

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– Pode ter alguma ligação com a Covid-19?

Dos casos analisados, 74 eram de adenovírus, mas 20 tiveram Covid-19. E outros 19 foram de coinfecção, adenovírus e Covid-19. Provavelmente, quando for descoberta a causa, vai ser por um agente viral. O importante é destacar que não tem relação com as vacinas contra a Covid-19, até porque a maioria das crianças não tinha sido vacinada.

– O senhor acredita que casos serão registrados no Brasil?

Alguém levou esse vírus para os Estados Unidos sem ter muitos sintomas, pode ter sido um adulto que transmitiu. O adulto tem um histórico imunológico e o vírus acaba não fazendo nada. Então, vai acabar tendo, a gente faz parte do mundo e o fluxo Europa-Brasil e Estados Unidos-Brasil é muito grande. Acredito que vai chegar no Brasil e a gente tem de estar preparado.

– Mas o Brasil tem estrutura para lidar com esses casos?

O Brasil tem condições, porque a gente faz bastante transplante. O problema é o volume, é uma situação que parece uma epidemia, com 10% dos pacientes precisando de transplante de fígado. É possível fazer o transplante intervivos em muitas crianças, o pai ou a mãe doam, mas precisa de equipe pediátrica e há poucas equipes no Brasil. Seria uma sobrecarga nos grandes centros.

– Sem saber a causa, o que é possível fazer para evitar a doença?
É importante dar um suporte para não ter a hepatite fulminante e manter as medidas de cuidado, como ter alimentação saudável, dormir bem, ter higiene pessoal adequada. Como a transmissão (do adenovírus) é oro-fecal, tem de redobrar os cuidados de higiene e ir orientando crianças, escolas e parques sobre o assunto.

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