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Gripe A: morte de brasileiro foi “exceção”, mas serve de alerta

A morte do caminhoneiro Vanderlei Vial, de apenas 29 anos, em decorrência da nova gripe no último domingo incita algumas dúvidas entre os brasileiros: se ele era saudável e não fazia parte do grupo de risco, por que então morreu? O primeiro óbito no Brasil de um rapaz jovem e sadio significaria que o vírus mudou e está mais perigoso que antes?

“É uma taxa. Mesmo para as pessoas que não fazem parte do grupo de risco, existe uma taxa pequena daquelas que acabam desenvolvendo uma pneumonia viral. Os quadros de pneumonia viral são sempre mais graves que os da bacteriana, porque não existe medicamento específico para tratar. O caso dele é uma exceção”, explica o vice-diretor médico do Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, Júlio Stobbe.

Segundo Stobbe, Vanderlei era saudável, mas já chegou ao hospital em uma situação delicada. “Ele foi admitido na noite do dia 22, com quadro de sofrimento respiratório intenso, falta de ar e baixa quantidade de oxigênio no sangue”. Durante os dias em que permaneceu internado, ele foi entubado, teve parada cardíaca e apresentou problemas nos rins, precisando ser submetido à hemodiálise.

Celso Granato, chefe do setor de virologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acredita que a morte pode ter ocorrido por conta da demora para procurar o serviço médico. “No México, o que houve foi uma demora para chegar ao hospital. As pessoas podem ter morrido mais naquele país por conta da estrutura de saúde falha”, compara. “Você fica os primeiros dias com aquele febrão e mal-estar. Mas se passou uns dias e continua com febre alta, não tem solução. É hora de procurar um médico”, recomenda.

Além da febre, Granato pontua outros sintomas que podem identificar a evolução para um caso mais grave: secreção abundante; mudança da cor do catarro, que vai para um amarelo mais intenso ou esverdeado; falta de ar; e, se a pessoa tem muita dor nas costas, pode ser uma complicação no pulmão.

Mutação – Apesar de a primeira morte no Brasil ter vitimado um homem saudável, Granato e Juvêncio Furtado, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), concordam ao dizer que ainda é muito cedo para alterar qualquer recomendação.

“Por enquanto, esse é o primeiro caso de morte no Brasil pela gripe, que precisa ser analisado com cuidado. Mas se outras pessoas iguais começarem a morrer sem explicação, isso muda um pouco”, diz Furtado. “Não há razão para alarde nenhum, mas não significa desarmar. É preciso continuar estudando para ver se nenhuma condição nova surgir”, completa o presidente da SBI.

“É possível que a gripe sofra mutações e fique pior. Infelizmente pode ser que isso acontecerá. Por isso é necessário monitorar. E a informação das mortes vai chegar mais cedo do que informações laboratoriais sobre possíveis mutações do vírus”, afirma Granato.