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Gordura abdominal pode prever doenças no coração melhor que IMC, afirma estudo

Pesquisa com mais de 260 mil pessoas mostra que mesmo pessoas com IMC considerado normal podem ter risco aumentado para problemas cardiovasculares

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 ago 2026, 16h38 | Atualizado em 13 ago 2026, 10h32
Gordura abdominal pode prever doenças no coração melhor que IMC, afirma estudo Priorizar nos meus resultados Google

O chamado Índice de Massa Corporal, famoso IMC, é comumente usado para determinar sobrepeso ou obesidade. Ele é calculado dividindo o peso de uma pessoa em quilos pela sua altura ao quadrado. Sozinha, porém, essa métrica não é capaz de prever com precisão se alguém terá doenças cardiovasculares no futuro.

O melhor indicador para calcular esse risco é a circunferência abdominal, que revela o acúmulo de gordura na região, como aponta um estudo publicado na revista científica Journal of the American College of Cardiology na terça-feira, 11.

A pesquisa analisou dados de mais de 260 mil pessoas ao longo de uma média de 20 anos e mostrou que mesmo pessoas com IMC considerado normal podem ter risco aumentado para problemas cardiovasculares.

Em comunicado, o editor-chefe da revista onde o estudo foi publicado, Harlan M. Krumholz, afirmou que os resultados apontam que “é hora de abandonar o foco exclusivo no Índice de Massa Corporal”.

“Este estudo extremamente importante, baseado em dados de centenas de milhares de participantes em estudos de coorte em larga escala, demonstra de forma inequívoca que a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril fornecem informações cruciais sobre o risco cardiovascular, mesmo entre pessoas com IMC considerado normal”, afirmou Krumholz, que também é professor na Escola de Medicina de Yale, nos Estados Unidos.

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O que o estudo descobriu

Os pesquisadores investigaram se, além do IMC, outras duas medidas poderiam ajudar a prever melhor o risco cardiovascular dos participantes: a circunferência da cintura (CC) e a relação cintura-quadril (RCQ).

Isso porque pesquisas anteriores já demonstraram que a chamada gordura visceral, aquela que envolve os órgãos internos na região abdominal, está associada ao aumento de risco para doenças cardíacas e diabetes, enquanto a gordura subcutânea, localizada diretamente sob a pele, não tem uma associação tão forte.

Todos os participantes do estudo possuíam dados sobre a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril, além de pelo menos um de nove desfechos: tempo até o primeiro infarto do miocárdio fatal e não fatal; acidente vascular cerebral (AVC) fatal e não fatal; insuficiência cardíaca; fibrilação atrial; doença coronariana total; doença cardiovascular total; mortalidade por doença coronariana; e mortalidade por doença cardiovascular e/ou mortalidade por todas as causas.

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Os resultados mostram que:

  • Em pessoas com IMC considerado normal, 5% tinham circunferência da cintura elevada e 18% apresentavam relação cintura-quadril elevada;
  • Entre aqueles sobrepeso, 39% tinham circunferência da cintura elevada e 40% apresentavam relação cintura-quadril elevada;
  • Já entre pessoas com IMC equivalente à obesidade, 9% tinham circunferência da cintura baixa e 45%.

Além disso, pessoas com peso normal ou sobrepeso e circunferência da cintura ou relação cintura-quadril definidas como elevadas tiveram um risco de 15% a 50% maior para a maioria dos nove desfechos estudados.

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Já os participantes com obesidade e CC baixa não apresentaram risco significativamente diferente para os desfechos em comparação com aqueles com peso normal e CC baixa, exceto para mortalidade por todas as causas. Nesses casos, o risco foi significativamente menor.

Resultados

Para os pesquisadores, os resultados indicam que basear-se apenas no IMC pode resultar em “classificação incorreta do risco cardiovascular“.

“Incentivamos os médicos a considerarem a distribuição da adiposidade central em todo o espectro do IMC ao avaliarem o risco cardiovascular em contextos de prevenção primária”, afirmou Zeina A. Dardari, PhD, MS, autora principal do estudo, em comunicado. 

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Ao mesmo tempo, os autores apontam algumas limitações do estudo. Uma delas é que a análise não calculou o tempo que os participantes dedicavam à atividade física ou dieta, nem o risco genético de obesidade, fatores que comprovadamente influenciam o desenvolvimento de problemas no coração.

Além disso, a investigação incluiu apenas uma avaliação da circunferência da cintura e da relação cintura-quadril, o que pode limitar a compreensão de como as alterações no acúmulo de gordura central ao longo do tempo influenciam o risco de doenças cardiovasculares.

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No entanto, os resultados são considerados “inequívocos” quanto às limitações do IMC. A principal conclusão é que essa métrica, embora amplamente utilizada para classificar sobrepeso e obesidade, não é suficiente para avaliar o risco cardiovascular. Por isso, os autores defendem que ela seja complementada pela avaliação da gordura abdominal, especialmente nas consultas de rotina.

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