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Fiocruz e UFRJ divulgam recomendações para o Carnaval 2022

Relatório aponta a necessidade de 80% da população com esquema vacinal completo, protocolos rígidos e ações de monitoramento das autoridades sanitárias

Por Simone Blanes 14 out 2021, 19h40

A Fiocruz e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) elaboraram uma nota com recomendações para o Carnaval do Rio de Janeiro em 2022. No documento, feito a pedido da Comissão Especial de Carnaval da Câmara dos Vereadores, são considerados cinco indicadores usados por órgãos internacionais para atividades de potenciais riscos de aglomerações como o caso da folia, sendo o principal a necessidade de uma taxa acima de 80% da população com esquema vacinal completo com as duas doses ou dose única. “Recomendamos a taxa de vacinação acima de 80%, levando em consideração a variante Delta, cuja transmissão pode afetar até 10 pessoas. Essa é uma fórmula de imunidade que a epidemiologia usa e trata-se de uma porcentagem mais conservadora”, afirmaram os pesquisadores Hermano Castro, pneumologista e ex-diretor da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), e Roberto Medronho, professor titular de Epidemiologia da Faculdade de Medicina da UFRJ, que assinam o documento. “Atualmente, o único indicador que ainda não alcançamos foi o da vacinação, mas são valores totalmente possíveis de atingirmos desde que não haja a interrupção da vacina”, acrescentaram.

Além da vacinação, o relatório também traz as seguintes propostas: média móvel semanal menor que 110 casos de Covid19 (1,63 casos por 100.000 habitantes); fila de espera para internação no município de três pessoas por dia, com um tempo de que não ultrapasse uma hora no caso de sintomas da doença; taxa de testes positivos menor do que 5% durante os últimos sete dias e taxa de contágio da cidade do Rio de Janeiro menor que 1 pelo mesmo período de tempo.

As instituições ainda recomendam que a prefeitura adote protocolos rígidos baseados em informações científicas recentes como a oferta de testagem aos trabalhadores dos barracões, a distribuição e o uso de máscaras, distanciamento físico e higienização das mãos, além de constantes ações de monitoramento e vigilância pelas autoridades sanitárias ao longo de todo o processo – 100 dias antes do Carnaval e 30 dias após, com divulgação de informações para as agremiações sobre a segurança sanitária e a real viabilidade do carnaval. “Essa discussão transcende em muito os dados quantitativos oferecidos pelos indicadores. Ela é essencialmente ética”, alertaram os autores. Hermano Castro complementa. “O Carnaval é uma festa popular com aglomeração, tem a característica de misturar as classes sociais e pode, sim, ser um grande evento teste. Estamos discutindo os benefícios e os riscos que a sociedade pode – e deseja correr. A semana do Carnaval traz impactos para a cidade nas áreas da saúde pública, da segurança pública, da economia e, em tempos de pandemia, devemos reforçar a vigilância em todos os setores”, recomendou.

O documento, enviado ao Comitê Especial de Enfrentamento à Covid-19 (CEEC), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio de Janeiro, também reforça a consciência sobre incertezas relacionadas ao surgimento de variantes, uma vez que a vacinação não ocorre de forma homogênea no mundo. “Estamos atentos à possibilidade do surgimento de variantes de preocupação, ou seja, que podem modificar o curso da epidemiologia da doença (aumento de transmissão ou aumento da mortalidade e casos graves). Isso também será uma incerteza até lá. É preciso acompanhar as festas de fim de ano e os índices nas primeiras semanas de janeiro de 2022. Os riscos e benefícios da decisão da realização do Carnaval devem ser assumidos por todos”, finalizam.

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