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FDA autoriza nova droga que combate câncer de pele

Esta é a primeira droga indicada para tratar carcinoma basocelular avançado. Nos EUA, vismodegibe estará disponível em até duas semanas

Por Da Redação - 30 jan 2012, 20h49

O FDA, agência americana reguladora de medicamentos, aprovou nesta segunda-feira uma pílula que trata o tipo mais comum de câncer de pele, conhecido como o carcinoma basocelular. O remédio batizado de Erivedge (vismodegibe), produzido pela companhia farmacêutica Roche, tem como alvo os tumores avançados e metastáticos.

CARCINOMA BASOCELULAR

O câncer de pele é o câncer mais frequente no Brasil e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país. Se for detectada precocemente, a doença apresenta altos percentuais de cura. Entre os tipos de câncer de pele mais frequentes está o carcinoma basocelular, responsável por 70% dos diagnósticos.

O carcinoma basocelular costuma desenvolver-se em superfícies da pele que estão expostas à radiação solar como face, couro cabeludo, orelha, mãos, dorso e pernas. Os tumores começam com formações muito pequenas, brilhantes, duras e salientes. Geralmente, a doença cresce lentamente e não provoca dor.

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A droga, que deve ser ministrada uma vez ao dia, é indicada principalmente aos pacientes que não são candidatos a procedimento cirúrgico ou a radiação e àqueles nos quais o câncer se espalhou para outras partes do corpo.

De acordo com a Roche, essa é a primeira droga indicada para tratar carcinoma basocelular avançado. Nos Estados Unidos, o vismodegibe deverá estar disponível em até duas semanas.

A segurança e a eficácia da droga foram avaliadas a partir de um estudo clínico realizado com 96 pacientes com carcinoma basocelular avançado. Entre os pacientes com câncer metastático, 30% teve resposta parcial. E, entre os pacientes com câncer localizado, 43% apresentou resposta parcial ou completa.

O medicamento será contraindicado para mulheres grávidas, já que pode causar morte do feto e consequências graves em bebês.

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Entre os efeitos colaterais mais comuns estão espasmos musculares, perda de cabelo, perda de peso, diarreia, fadiga, perda do paladar, diminuição do apetite, constipação intestinal e vômito.

A aprovação da droga ocorreu antes do previsto. Esperava-se que o FDA decidisse sobre o medicamento somente no início de março. O processo foi acelerado já que não há nenhum tratamento aprovado para carcinoma basocelular.

Segundo a assessoria de imprensa da Roche no Brasil, não há data de previsão para submeter a droga à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Opinião do médico

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Marco Antônio de Oliveira

Dermatologista do setor de câncer de pele do Hospital AC Camargo

“O novo medicamento serve para casos específicos de pessoas que desenvolvem o carcinoma basocelular metastático (quando o câncer se espalha). Ele poderá ser utilizado em situações onde esse tipo de câncer afeta outros órgãos, ultrapassando o limite da pele – isso ocorre em cerca de 1% dos pacientes.

Na maioria das vezes, o carcinoma basocelular é tratado com cirurgia. Antes desse remédio, quando o basocelular desenvolvia essa característica mais agressiva, não tinhamos medicação nenhuma para indicar ao paciente. Por isso, considero uma droga inovadora.

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Apesar disso, não é perfeita. A pesquisa até agora mostrou que uma pequena parcela das pessoas respondem muito bem à droga; a maioria responde parcialmente; e uma minoria não apresenta resultados satisfatórios.”

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