🔥 9.9: Assine Revista Impressa + Digital Premium por R$ 32,90/mês. Preço especial só hoje.

Fabricante do Mounjaro decreta guerra ao mercado paralelo de remédios para emagrecer

Eli Lilly processa seis empresas que comercializavam retatrutida - medicação ainda em pesquisa - de forma irregular. Problema se estende ao Brasil

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 ago 2026, 07h00 | Atualizado em 13 ago 2026, 12h11
Fabricante do Mounjaro decreta guerra ao mercado paralelo de remédios para emagrecer Priorizar nos meus resultados Google

A farmacêutica Eli Lilly anunciou uma nova ofensiva jurídica contra o comércio ilegal de retatrutida, seu candidato a medicamento contra obesidade e diabetes tipo 2 ainda em fase de testes. A empresa entrou com seis processos contra companhias americanas — entre elas farmácias de manipulação, clínicas estéticas e vendedores online — acusadas de comercializar versões não autorizadas da substância.

A Lilly afirma que parte desses fornecedores rotula os produtos como “apenas para uso em pesquisa” — uma manobra para driblar a fiscalização — quando na prática eles são vendidos diretamente ao consumidor final, com instruções de dosagem incluídas.

A retatrutida é um agonista triplo (GLP-1/GIP/glucagon) que vem apresentando resultados expressivos em obesidade: nos estudos de fase 3 mais recentes, participantes na dose mais alta perderam, em média, 28,3% do peso corporal ao longo de 80 semanas.

Esse desempenho — próximo ao de cirurgias bariátricas — alimentou grande expectativa e impaciência entre pacientes, mesmo com o medicamento ainda não aprovado por nenhuma agência regulatória do mundo.

A pressão por acesso antecipado tende a continuar: a própria Lilly adiou o pedido de registro do medicamento à FDA para o primeiro trimestre de 2027, atrasando um cronograma que antes previa submissão ainda em 2026 — atraso atribuído à necessidade de reunir mais dados de fabricação e controle de qualidade.

Continua após a publicidade

Canetas emagrecedoras e o futuro da luta contra obesidade

As denúncias e os riscos para quem compra no mercado ilegal

A FDA (agência regulatória americana) já havia declarado que a venda de retatrutida não aprovada é ilegal e que a substância não pode ser manipulada legalmente por farmácias. Produtos comercializados como “apenas para pesquisa” são, segundo a agência, de qualidade desconhecida e podem ser prejudiciais à saúde — não há garantia de pureza, dosagem correta ou ausência de contaminantes, já que costumam vir de fabricantes estrangeiros sem regulação.

Casos de apreensão já foram registrados fora dos EUA: em outubro de 2025, a agência reguladora britânica (MHRA) apreendeu milhares de canetas injetoras falsificadas de retatrutida e tirzepatida em uma única operação.

Continua após a publicidade

Para se ter ideia, até a Dinavisa, órgão regulatório do Paraguai, já se posicionou contra a retatrutida produzida e vendida de forma ilegal.

A Lilly informa ainda que já reportou mais de 14 mil sites, anúncios e perfis em redes sociais que promovem retatrutida ilegalmente em mais de 100 países, além de encaminhar mais de 200 indivíduos e empresas à FDA, ao Departamento de Justiça dos EUA e a órgãos de fiscalização profissional.

Além das ações judiciais, a Lilly pede que plataformas de redes sociais e e-commerce, operadoras de cartão de crédito, processadoras de pagamento e empresas de logística cortem a estrutura que sustenta esse comércio ilegal. A companhia também orienta médicos a alertar pacientes sobre os riscos e disponibiliza um canal para denúncias.

Continua após a publicidade

A estratégia repete uma linha de ação já usada pela Lilly contra cópias não autorizadas de outro medicamento seu, a tirzepatida (Mounjaro): em 2023 e 2024, a empresa já havia movido processos semelhantes contra farmácias de manipulação. A diferença agora é que a retatrutida sequer tem previsão de aprovação em curto prazo — o que torna qualquer versão vendida hoje, por definição, não testada em escala regulatória e fora de qualquer supervisão de segurança.

Vale destacar: a Lilly confirmou que abrirá um programa de acesso antecipado limitado, restrito a pacientes que atendam critérios médicos específicos, antes da aprovação da FDA — uma via oficial e monitorada, em contraste com o mercado clandestino.

O problema também é brasileiro

No Brasil, a retatrutida já circula ilegalmente antes mesmo de existir oficialmente. A Anvisa emitiu alerta e mesmo assim as canetas anunciadas como “retatrutida” aparecem em sites e redes sociais e vêm sendo apreendidas na fronteira com o Paraguai.

Continua após a publicidade

Só no primeiro trimestre de 2026, as apreensões da Receita Federal e da Anvisa na região de Foz do Iguaçu já superaram R$ 11 milhões — mais do que em todo o ano de 2025. E aqui está o ponto que deveria assustar quem pensa em comprar: ninguém pode garantir que essas canetas realmente contêm retatrutida, na concentração indicada — não há qualquer controle de esterilidade, pureza, fabricação ou transporte. Pode ser água com sal, pode ser uma dose 10 vezes maior que a pretendida, pode vir contaminada — a própria Eli Lilly já identificou contaminação bacteriana e impurezas em produtos falsificados de emagrecedores.

Não existe bula, não existe farmacêutico responsável, não existe rastreabilidade. Quem compra está literalmente injetando uma incógnita.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional da Editora Abril. À esquerda, um selo laranja com CHEGOU O 9.9 e 80% OFF, e um botão APROVEITE A OFERTA AGORA. Ao centro, texto Na Editora Abril os números se alinharam para você ler as melhores revistas do Brasil por um preço simbólico e capas de revistas como Veja, Quatro Rodas, Saúde e Claudia. À direita, uma mulher sorridente com cabelo castanho, vestindo camisa bege, segura um cartão dourado. No canto superior direito, um ícone de árvore e uma faixa laranja diagonal com ASSINATURA LEIA 15 MARCAS
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA 9.9

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).