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Exposição à poluição no útero materno está associada a problemas de comportamento na infância

Contato de grávidas com poluentes emitidos por automóveis aumenta risco de seus filhos apresentarem ansiedade, depressão e dificuldades de atenção

Por Da Redação 22 mar 2012, 11h44

A exposição de grávidas a uma determinada classe de poluentes do ar pode aumentar o risco de seus filhos desenvolverem problemas comportamentais durante a vida, segundo concluiu um novo estudo feito na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. Esses componentes são os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP), que são liberados principalmente com a combustão incompleta de diesel e gasolina. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira no periódico Environmental Health Perspectives.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Prenatal Polycyclic Aromatic Hydrocarbon (PAH) Exposure and Child Behavior at age 6-7

Onde foi divulgada: periódico Environmental Health Perspectives

Quem fez: Frederica P. Perera, Deliang Tang, Shuang Wang, Julia Vishnevetsky, Bingzhi Zhang, Diurka Diaz, David Camann e Virginia Rauh

Instituição: Universidade de Columbia, Estados Unidos

Dados de amostragem: 253 crianças que nasceram entre 1999 e 2006

Resultado: A exposição ao HAP, classe de poluentes emitidos principalmente pelos automóveis, no útero materno aumenta risco de problemas de comportamento na infância

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Essa é a primeira vez em que um estudo estabelece uma associação direta entre exposição ao HAP no útero materno e problemas de comportamento e de atenção apresentados por crianças em idade escolar. De acordo com os pesquisadores, a conclusão do levantamento é um alerta preocupante para os riscos à saúde relacionados à poluição do ar ao longo da gravidez.

A pesquisa – O estudo acompanhou desde o nascimento e até o sétimo ano de vida 253 crianças que haviam nascido entre 1999 e 2006 e cujas mães não eram fumantes e moravam em centros urbanos. A equipe de pesquisadores mensurou o nível de contato com os poluentes de duas maneiras. Em uma delas, eles monitoraram a concentração de HAP que havia no ar das regiões onde as grávidas viviam no terceiro trimestre da gestação. Em outra, a equipe, por meio de um marcador biológico específico de HAP, calculou a exposição ao composto no sangue das mães e no sangue do cordão umbilical do recém-nascido. Quando as crianças completaram entre seis ou sete anos de idade, as mães responderam a um questionário detalhado sobre o comportamento de seus filhos.

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HIDROCARBONETOS AROMÁTICOS POLICÍCLICOS (HAP)

Os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos são uma classe de compostos orgânicos. Dos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, 16 são indicados pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos como sendo poluentes prioritários, que têm sido cuidadosamente estudados devido à sua toxicidade, persistência e predominância no meio ambiente. Os HAP podem causar efeitos toxicológicos no crescimento, metabolismo e reprodução de todos os componentes do meio ambiente.

Fonte: Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental)

Os pesquisadores observaram que todas as grávidas que participaram do estudo apresentavam concentrações, embora diferentes, de HAP, e que a exposição dessas mulheres a essa substância ocorreu principalmente com os poluentes emitidos pelos automóveis, mas também aconteceu com a fumaça dos cigarros, por exemplo. O estudo concluiu que exposição ao HAP no útero materno foi significativamente associada a problemas de ansiedade, dificuldades de atenção e sintomas de depressão apresentados pelas crianças aos seis ou sete anos de idade.

De acordo com os autores do estudo, quando inalados por mulheres grávidas, os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos podem atravessar a placenta e se ligar ao DNA do feto e prejudicar o seu desenvolvimento. Para Frederica Perera, coordenadora da pesquisa, esses resultados fornecem fortes evidências de que níveis de HAP encontrados nas grandes cidades podem afetar o comportamento infantil. “Os resultados são preocupantes porque os problemas de atenção, ansiedade e depressão também se mostram prejudiciais nos relacionamentos e no desempenho escolar”, diz.

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