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Exercício intenso pode causar problema cardiovascular

Estudos concluem que exagerar na atividade física eleva risco de ataque cardíaco, derrame e arritmia. Mas isso não é um convite ao sedentarismo: pesquisadores alertam que qualquer exercício é melhor do que nenhum

Por Da Redação - 15 Maio 2014, 09h56

Fazer exercícios intensos regularmente pode ser maléfico à saúde cardiovascular. Segundo dois estudos, um alemão e outro sueco, ambos publicados quarta-feira no periódico Heart, exagerar na atividade física aumenta o risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral (AVC) e arritmia. Mas isso não é um incentivo a não fazer nenhum exercício. Os pesquisadores ressalvam que se exercitar em qualquer quantidade é melhor do que ser sedentário.

CONHEÇA A PESQUISA

Títulos originais: ​A reverse J-shaped association of leisure time physical activity with prognosis in patients with stable coronary heart disease: evidence from a large cohort with repeated measurements e Atrial fibrillation is associated with different levels of physical activity levels at different ages in men​

Onde foram divulgadas: periódico Heart.

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Quem fez: Ute Mons, Harry Hahmann e Hermann Brenner, do Centro de Estudo Alemão de Câncer. E ​Nikola Drca, Alicja Wolk, Mats Jensen-Urstad e Susanna C Larsson, do Departamento de Cardiologia do Instituto Karolinska.

Instituições: Centro de Estudo Alemão de Câncer, na Alemanha, e Departamento de Cardiologia do Instituto Karolinska, na Suécia.

Resultados: No estudo alemão, foi constatado que os participantes que fizeram atividades físicas intensas mais de quatro vezes por semana tinham duas vezes mais probabilidade de morrer de ataque cardíaco ou derrame do que aqueles que se exercitavam de duas a quatro vezes. Já a pesquisa sueca relatou que os homens que se exercitavam intensamente por mais de cinco horas semanais elevavam em 19% a probabilidade de terem arritmia aos 60 anos.

Os cientistas do Centro de Estudo Alemão de Câncer mediram por dez anos a frequência e a intensidade de atividade física, além da taxa de mortalidade, de mais de 1.000 pessoas com doença arterial coronariana cardíaca estável.

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Todos os participantes, com idade média de 60 anos, tinham participado de um programa de reabilitação cardíaca, que incluía exercícios regulares. Dos voluntários, 30% praticavam exercícios menos de duas vezes semanais (sendo que 10% nunca ou raramente praticavam), 40% duas a quatro vezes e 30% mais que quatro.

Ao compilar os dados, os cientistas detectaram, sem surpresa, que os sedentários tinham quatro vezes mais probabilidade de morrer de quaisquer causas do que os ativos fisicamente, sendo o risco de ataque cardíaco ou derrame duas vezes superior.

A constatação inesperada foi que os voluntários que praticavam os exercícios intensos mais de quatro vezes por semana também tinham duas vezes mais probabilidade de morrer de ataque cardíaco ou derrame do que aqueles que malhavam com menor frequência.

Já a pesquisa sueca, realizada por estudiosos do Departamento de Cardiologia do Hospital Karolinska, perguntou a mais de 44.000 homens, com idades entre 45 e 79 anos, sobre o tempo dedicado à atividade física nas idades de 15, 30 e 50 anos, e sobre cada ano depois dos 60 anos. A saúde cardíaca dos participantes foi acompanhada por doze anos, em média, desde 1997, período em que foi documentado quantos voluntários desenvolveram arritmia cardíaca e fibrilação atrial, um conhecido fator de risco do derrame.

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Os pesquisadores constataram que os homens que se exercitaram intensamente por mais de cinco horas semanais tinham 19% mais probabilidade de desenvolver arritmia aos 60 anos do que aqueles que praticaram atividade física por menos de uma hora por semana. O risco subiu para 49% quando se realizava mais de cinco horas de exercício por semana aos 30 anos – grupo que, posteriormente, fazia menos de uma hora de atividade aos 60 anos.

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“Esses dados precisam ser analisados com cautela. Nós podemos, definitivamente, dizer que qualquer quantidade de exercício é melhor do que o sedentarismo”, disse ao site de VEJA Ute Mons, líder da pesquisa alemã. “Minha recomendação é que pacientes com problemas no coração estabeleçam sua ‘dose’ de exercício junto com o médico e o educador físico.”

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