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Exame de sangue pode prever risco de infarto

Pesquisa americana descobre que um tipo de célula no sangue pode indicar se os pacientes estão prestes a sofrer um ataque cardíaco

Cientistas do Scripps Translational Science Institute (STSI) – um instituto de pesquisas localizado na Califórnia, nos Estados Unidos – apresentaram um novo exame de sangue que pode ajudar os médicos a prever o risco de infarto em pacientes. O estudo, publicado na edição desta semana da revista Science Translational Medicine, concluiu que determinado tipo de células pode funcionar como um possível biomarcador da doença. Só no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, são 320.000 mortes por problemas cardiovasculares por ano.

Opinião do especialista

Dr. Leopoldo Piegas Dr. Leopoldo Piegas

Dr. Leopoldo Piegas (/)

Dr. Leopoldo Piegas

Cardiologista do HCor e professor livre-docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Acredito que se trata da primeira pesquisa no mundo a chegar a tal conclusão. Cientificamente, ela tem um grande valor, já que descobriu que, antes mesmo de ocorrer o infarto, já existem certas células indicadoras de um possível ataque circulando no sangue do paciente. Mas não podemos deixar de analisar a parte prática, quando falamos em previsões altamente precoces.

É impossível, por exemplo, submeter toda a população mundial a este teste preventivo. O estudo realizou o diagnóstico dessas células em pessoas que já estavam chegando a hospitais, sendo úteis nesse caso, mas não é possível saber uma semana ou dez dias antes se essas células já existiam em maior quantidade no corpo do paciente. Então, com qual frequência as pessoas teriam que fazer os testes?

Assim, o estudo americano é importante para diagnósticos imediatos, mas quando se trata de diagnósticos precoces, ela pede um maior aprofundamento.

A pesquisa envolveu 50 pacientes que, prestes a sofrer ataque cardíaco, procuraram ajuda em quatro prontos-socorros da cidade de San Diego (Califórnia). Usando diferentes sistemas de isolamento de células, os cientistas descobriram que a quantidade e a estrutura das células conhecidas como endoteliais (célula achatada que recobre a face interna dos vasos sanguíneos e o coração) estavam dramaticamente alteradas em pessoas com infarto, quando comparadas com grupos de pessoas saudáveis. Ou seja, testar o sangue de pessoas propensas a ter este tipo de ataque poderia ajudar a prever quais pacientes realmente vão sofrê-lo.

O infarto é um evento súbito em que ocorre uma repentina privação de oxigênio no tecido cardíaco, causada pela obstrução de artérias. O grande segredo para evitar as sequelas de um ataque como este é a abertura precoce da artéria obstruída, a fim de restabelecer o fluxo de oxigênio no órgão – sem oxigênio, as células de parte ou de todo o coração morrem. Por isso é tão importante prever o risco de infarto: quanto mais rápido essa abertura arterial for realizada, menor será o dano ao paciente, sendo também menor o risco de morte.

“A habilidade em diagnosticar um ataque cardíaco iminente é uma importante descoberta, que pode ajudar a mudar o futuro da medicina cardiovascular”, afirma Dr. Eric Topol, coordenador do estudo. “A esperança é ter este teste desenvolvido para uso comercial em até dois anos. Ele pode ser ideal para determinar se um paciente está à beira de um infarto ou prestes a sofrer um nas próximas semanas. Por enquanto, nosso teste apenas detecta se a pessoa está vivenciando um ataque ou acabou de passar por um”, diz o coautor Raghava Gollapudi.