EUA confirmam 5ª morte por sarampo; vítima não tinha recebido vacina
Segundo informações divulgadas pelo departamento de saúde da Pensilvânia na quarta-feira, 30, vítima era residente do Condado de Lancaster
Mais uma pessoa morreu de sarampo na Pensilvânia em 2026, elevando para cinco o número de mortes associadas à doença nos Estados Unidos neste ano. Segundo informações divulgadas pelo departamento de saúde estadual na quarta-feira, 30, a quinta vítima foi um residente do Condado de Lancaster. Não há detalhes sobre o caso.
A quinta morte ocorre em meio a um surto que já se espalhou por uma parcela significativa da Pensilvânia, com mais de 900 casos de sarampo relatados neste ano em 39 condados. Todas as cinco pessoas que morreram não haviam sido vacinadas, de acordo com as autoridades estaduais.
Embora os EUA tenham eliminado a transmissão doméstica do sarampo em 2000, a taxa de vacinação contra a doença caiu nos últimos anos para menos de 95%, que é a cobertura necessária para prevenir surtos.
Entre crianças americanas no jardim de infância, a proporção com as duas doses recomendadas da vacina tríplice viral caiu de 95,2% no ano letivo de 2019–2020 para 92,4% em 2025–2026. Isso significa que cerca de 280 mil crianças nessa faixa etária ficaram sem a proteção adequada.
A queda ocorre em meio a um contexto de desinformação e disputa política. Autoridades de saúde do governo Trump, incluindo o Secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. , questionaram em várias ocasiões a segurança comprovada das vacinas. Também houve corte no financiamento de iniciativas locais para melhorar os índices de vacinação.
Há ainda uma controvérsia no país sobre como as mortes relacionadas ao sarampo estão sendo contabilizadas. A contagem nacional do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), a principal agência de saúde pública do governo dos Estados Unidos, inclui apenas duas mortes associadas ao sarampo em 2026. A agência não divulgou os estados envolvidos nem quando as mortes ocorreram.
O surto pode chegar a outros estados?
Segundo Bernardo Maia, diretor do pronto-socorro e da UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o risco de o vírus se espalhar e provocar surtos em outros estados norte-americanos é alto.
“Já não estamos falando de episódios isolados de sarampo, mas de transmissão comunitária sustentada em diferentes áreas da Pensilvânia. Isso revela, principalmente, a existência de bolsões importantes de pessoas suscetíveis, capazes de manter sucessivas cadeias de transmissão”, explicou o infectologista, em matéria de VEJA sobre o surto de sarampo nos EUA.
Existe uma diferença entre transmissão sustentada e restabelecimento da transmissão endêmica. Para que se considere restabelecida a endemicidade do sarampo em uma região anteriormente livre da doença, é necessário que haja uma mesma cadeia de transmissão viral por pelo menos 12 meses.
“Portanto, o cenário atual é bastante preocupante e demonstra perda de controle do surto em determinadas comunidades, mas ainda não permite, por si só, afirmar que o sarampo voltou a ser endêmico na Pensilvânia”, afirmou Maia.
O sarampo está entre as doenças infecciosas mais transmissíveis conhecidas. Por isso, viagens e deslocamentos entre estados podem levar o vírus de uma comunidade para outra. O risco depende principalmente do perfil de imunização encontrado pelo vírus no novo local.
“A chegada do vírus a outro estado não significa necessariamente que haverá um grande surto. O que determina se essa introdução vai se extinguir ou gerar novas cadeias de transmissão é, sobretudo, quantas pessoas suscetíveis o vírus encontrará”, disse o infectologista.
Onde a cobertura vacinal é elevada e homogênea, a tendência é que essas cadeias sejam interrompidas. O maior problema, explica Maia, são comunidades com bolsões de baixa vacinação: para uma doença tão contagiosa quanto o sarampo, pequenas lacunas de cobertura podem ser suficientes para permitir uma disseminação expressiva.
“É justamente por isso que manter coberturas vacinais muito altas não é apenas uma medida de proteção individual, mas uma estratégia de proteção coletiva, que reduz a circulação do vírus e protege inclusive aqueles que, por idade ou contraindicações médicas, não podem ser vacinados”, alertou.
No Brasil
O cenário também serve de alerta para o Brasil. Por aqui, o sarampo foi eliminado como problema de saúde pública em 2016, mas perdeu esse status em 2019 após a volta da circulação do vírus. Desde então, o país reforçou a vacinação e as ações de vigilância para evitar novos surtos.
O estado de São Paulo chegou a 40 casos confirmados de sarampo em 2026, segundo balanço do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) estadual.
Para conscientizar a população, a secretaria lançou uma campanha em TV, rádio e veículos independentes incentivando a ida aos postos para verificar a situação vacinal e atualizar a caderneta. O tema da campanha é “A melhor prevenção é a vacinação”. Veja abaixo o esquema vacinal:
Crianças de 6 a 11 meses:
- Dose zero: indicada em situações de risco aumentado de exposição ao vírus, não substitui as doses do calendário de rotina
Crianças a partir de 12 meses
- Primeira dose (D1) aos 12 meses, com a tríplice viral. Segunda dose (D2) aos 15 meses, com a vacina tetraviral (ou tríplice viral + varicela)
Pessoas de 5 a 29 anos
- Devem iniciar ou completar o esquema de duas doses da tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas
Pessoas de 30 a 59 anos
- Devem receber uma dose da tríplice viral caso não haja comprovação de vacinação anterior







