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EUA aprovam nova droga contra a obesidade

A droga Qsymia é uma associação de fentermina, um derivado anfetamínico, com o topiramato, anticonvulsivo que aumenta a sensação de saciedade

Por Da Redação - 17 jul 2012, 22h31

Uma nova droga à base de um derivado da anfetamina foi aprovada nesta terça-feira pelo FDA, agência americana que regula medicamentos e alimentos, para uso no tratamento contra a obesidade. O medicamento, chamado Qsymia, é uma associação das substâncias fentermina, utilizada como inibidor de apetite, e de topiramato, um anticonvulsivo que aumenta a sensação de saciedade.

Opinião do especialista

Cintia Cercato

Endocrinologista do Hospital das Clínicas de SP

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A aprovação do Qsymia pelo FDA pode ser vista como uma resposta à Anvisa, por ter retirado de maneira tão precipitada os derivados de anfetamina do mercado brasileiro. Das novas drogas antiobesidade que vêm sendo testadas, essa foi a que mostrou melhor eficácia. Ela foi tão eficiente nos primeiros estudos, que o FDA pediu novos testes de segurança, temendo um super consumo da substância.

É uma excelente notícia para os Estados Unidos. Enquanto isso, no Brasil, os órgãos responsáveis ainda acreditam que essas substâncias fazem mal à saúde – e não seu uso incorreto.

Um comitê de análise consultivo do governo dos Estados Unidos já havia emitido parecer favorável à aprovação da droga (que à época se chamava Qnexa) em 22 de fevereiro deste ano. O Qsymia, produzido pela Vivus, é capaz de promover uma perda de peso corporal de 6% a 10%. A droga poderá ser usada, segundo o FDA, por adultos com índice de massa corporal (IMC) 30 ou maior, ou por aqueles com IMC acima de 27 que tenham ao menos um problema de saúde, como hipertensão, diabetes tipo 2 ou colesterol alto.

O Qsymia é a primeira droga a associar duas substâncias conhecidas no mercado, a fentermina e o topiramato, em uma só pílula. A fentermina, um derivado da anfetamina, que teve seu uso proibido no Brasil, após proibição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em outubro de 2011, é indicada para a perda de peso rápida em pacientes com sobrepeso ou obesos, que estão se exercitando e em dieta. Já o topiramento, aprovada para uso no Brasil, é indicado para casos de enxaqueca e convulsões.

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“O uso responsável do Qsymia, em combinação com um estilo de vida saudável que inclua dieta com redução calórica e exercícios, fornece mais uma opção de tratamento para o controle do peso crônico, em pacientes obesos ou com sobrepeso que tenham ao menos uma comorbidade”, diz Janet Woodcock, diretora do Centro para Avaliação e Pesquisa de Drogas do FDA, em nota.

Precauções – De acordo com o FDA, o medicamento não deve ser usado durante a gestação porque aumenta os riscos de lábio leporinos nos fetos. A droga não deve ainda ser usada por pacientes com glaucoma e hipertireoidismo, e não é recomendada para pacientes que tiveram, dentro de seis meses, problemas cardíacos ou derrame, já que pode aumentar o ritmo cardíaco.

Os efeitos colaterais mais comuns do Qsymia são formigamento das mãos e dos pés, tonturas, alteração do paladar, insônia, constipação e boca seca.

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