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Estudo liga uso de analgésico na gravidez a risco de déficit de atenção no bebê

Gestantes que tomam paracetamol podem elevar em 37% o risco de TDAH no filho. Conclusão, porém, ainda deve ser confirmada por outras pesquisas

Pela primeira vez, um estudo associou o uso de paracetamol durante a gestação ao risco de os bebês desenvolverem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ao longo da infância. O medicamento, um analgésico de uso comum, é considerado seguro para mulheres grávidas.

De acordo com a pesquisa, feita nos Estados Unidos e publicada nesta segunda-feira, gestantes que tomam paracetamol podem ter um risco até 37% maior de ter filhos com uma forma severa de TDAH do que aquelas que não fazem uso do medicamento durante a gravidez.

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O estudo avaliou 64.322 mães e filhos que haviam participado de um levantamento entre 1996 e 2002. Mais da metade dessas mulheres tomou paracetamol ao menos uma vez durante a gravidez. Segundo os resultados, o uso do medicamento na gestação também está associado a um maior risco de o filho precisar tomar remédios para tratar o transtorno durante a infância. Além disso, o paracetamol parece elevar em 13% as chances de a criança apresentar, aos sete anos de idade, problemas de comportamento parecidos com os sintomas do déficit de atenção.

A pesquisa, publicada na revista Jama Pediatrics, foi feita por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos. Segundo os especialistas, as conclusões precisam ser confirmadas por estudos maiores. Além disso, o estudo não revelou de que forma o paracetamol atinge o feto – apenas encontrou uma maior prevalência de TDAH em crianças cujas mães fizeram uso do medicamento na gravidez. Trabalhos anteriores, porém, já sugeriram que o analgésico pode ter uma ação que desregula os hormônios – o que, durante a gestação, poderia interferir o desenvolvimento cerebral do bebê.

“Os resultados deste estudo deveriam ser interpretados com cautela e não devem mudar as práticas habituais”, escreveu um grupo de especialistas da Escola de Medicina da Universidade de Cardiff, na Grã-Bretanha, em um editorial publicado junto com a pesquisa.

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(Com agência France-Presse)