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Estudo internacional revela os principais fatores de risco para demência no Brasil — e como preveni-los

Levantamento com mais de 214 mil idosos em 14 países aponta que baixa escolaridade, sedentarismo e hipertensão lideram os riscos no Brasil

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jul 2026, 11h00 | Atualizado em 14 jul 2026, 13h34
Estudo internacional revela os principais fatores de risco para demência no Brasil — e como preveni-los Priorizar nos meus resultados Google

Um estudo internacional que reuniu dados de mais de 214 mil idosos em 14 países e regiões, entre eles o Brasil, mostra que a prevenção da demência pode exigir estratégias diferentes conforme o local. A pesquisa foi apresentada na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer de 2026, em Londres, e publicada na revista The Lancet Healthy Longevity.

Segundo os pesquisadores, muitos dos fatores de risco modificáveis mais relevantes para a demência, como baixa escolaridade, hipertensão e tabagismo, variam de forma expressiva entre diferentes populações. No Brasil, esses três fatores estão entre os mais prevalentes entre os idosos, o que reforça a ideia de que uma estratégia global única de prevenção dificilmente funcionaria da mesma maneira em todos os lugares.

O que os pesquisadores analisaram

O time, liderado pela Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos, reuniu dados de estudos conduzidos em 14 países e regiões, entre eles Irlanda, Estados Unidos, Inglaterra, Coreia do Sul, México, China, Malásia, Índia e Brasil. Eles padronizaram critérios e definições para permitir comparações diretas.

Foram avaliados 12 fatores de risco já associados à demência: baixa escolaridade, perda auditiva, colesterol LDL elevado, depressão, inatividade física, diabetes, tabagismo, hipertensão, obesidade, consumo excessivo de álcool, isolamento social e perda de visão.

Como o Brasil se compara ao mundo

Os dados mostram que cada país tem um perfil próprio de risco, moldado por fatores sociais, econômicos e de estilo de vida. Alguns exemplos:

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  • A baixa escolaridade atinge 85,6% dos idosos chineses, mas apenas 12% dos idosos nos Estados Unidos — no Brasil, o índice é de 76,4%;
  • A obesidade é mais comum em países de alta renda: quase metade da população idosa dos EUA (44,9%) convive com a condição, seguida pelo México (35,7%); Já em países asiáticos, os números são bem menores, como China (14,5%), Índia (13,3%) e Coreia do Sul (6,2%);
  • A hipertensão é mais prevalente nos dois países latino-americanos analisados: 53,1% no México e 49% no Brasil, contra 40,2% na China e 43,4% na Malásia.

Alguns fatores, no entanto, se repetem entre os mais frequentes ao redor do mundo: a baixa escolaridade apareceu entre os principais em 9 dos 14 locais, a hipertensão esteve entre os quatro mais prevalentes em todos os países, e o tabagismo ficou entre os quatro primeiros em 12 deles.

Ranking dos fatores de risco entre idosos brasileiros

De acordo com o levantamento, a prevalência de cada fator de risco no Brasil é a seguinte:

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  • Baixa escolaridade — 76,4%
  • Inatividade física — 52,3%
  • Perda de visão — 49,6%
  • Hipertensão — 49%
  • Tabagismo — 35,7%
  • Obesidade — 30,7%
  • Perda auditiva — 26,4%
  • Depressão — 26%
  • Colesterol LDL alto — 23%
  • Isolamento social — 21,2%
  • Diabetes — 17,7%
  • Consumo de álcool — 4,1%

O que isso muda na prevenção

Outro achado importante é que os fatores de risco não atuam isoladamente: eles costumam se agrupar. Condições cardiovasculares, como colesterol alto, pressão alta e diabetes, tendem a aparecer juntas nos mesmos indivíduos, assim como comportamentos de risco, como tabagismo e consumo de álcool. Essa coocorrência amplia o risco de demência de forma combinada, e não apenas isolada.

Para os autores do estudo, os resultados reforçam que políticas de prevenção precisam ser adaptadas à realidade de cada país, mas também identificam padrões globais que podem orientar estratégias mais amplas.

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Segundo os pesquisadores, os achados apoiam o uso combinado de abordagens específicas para cada contexto e de estratégias compartilhadas entre países, com o objetivo de reduzir o impacto da demência em diferentes regiões do mundo.

“De modo geral, esses achados apoiam o uso de abordagens tanto específicas para cada contexto quanto compartilhadas para reduzir o impacto da demência”, diz o estudo.

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No caso brasileiro, os dados indicam que os maiores ganhos em prevenção viriam do enfrentamento da baixa escolaridade, do sedentarismo, do controle da pressão arterial e do combate ao tabagismo — os quatro fatores mais prevalentes entre os idosos do país.

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