Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Estudo com novo medicamento contra doença de Chagas avança para segunda fase

O remédio em teste pode ser mais seguro e eficaz do que os atuais tratamentos

Um possível novo medicamento contra a doença de Chagas começará uma segunda fase de testes com humanos na Bolívia, revelou uma equipe de pesquisadores nesta terça-feira no Congresso Internacional de Parasitologia, realizado no México. A pesquisa, que teve iniciativa da organização sem fins lucrativos Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, na sigla em inglês), vai avaliar o fexinidazol, um dos compostos mais estudados em modelos experimentais para medicamentos contra a doença de Chagas.

A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitido pelas fezes do inseto barbeiro. Aumento do fígado, baço e coração são consequências da enfermidade, que pode causar arritmias fatais. Mais de 8 milhões de pessoas na América Latina estão infectadas com o protozoário, e apenas 1% tem acesso ao tratamento. No Brasil, calcula-se que a moléstia mate, anualmente, 6.000 pessoas. Os únicos medicamentos registrados são o benznidazol e o nifurtimox, que possuem vários efeitos colaterais e demandam um tratamento longo.

Leia também:

Impacto da Doença de Chagas é maior que do rotavírus e do câncer de colo do útero

Parasita causador da doença de Chagas inspira nova droga contra aterosclerose

O estudo está sendo feito pelo método duplo-cego, utilizando-se placebo e fexinidazol no tratamento da doença em 140 pacientes infectados com o protozoário. Em uma primeira fase, os pesquisadores avaliaram os efeitos do fexinidazol em 114 voluntários saudáveis. Nesta segunda etapa, o grupo pretende determinar qual é a dosagem mais segura e eficaz do medicamento para combater o Trypanosoma cruzi. Os participantes serão medicados durante duas, quatro ou oito semanas.

“O fexinidazol é um ‘parente’ dos dois medicamentos atualmente disponíveis para a doença, mas dados sugerem que ele é mais bem tolerado e mais seguro que os outros”, diz a coautora do estudo, Isabela Ribeiro, médica responsável pelo Programa para a Doença de Chagas na DNDi. “Ele passou por testes de segurança e biodisponibilidade em voluntários sadios e está em estudos clínicos, também, para a doença do Sono e a leishmaniose.” Essa fase do estudo deve ser concluída em agosto de 2015, quando o remédio deverá ser testado em outros países.