Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Estados Unidos aprovam o uso de ômega-3 para doenças cardiovasculares

O Vascepa, pílula à base de óleo de peixe, reduz os níveis de triglicérides no sangue em cerca de 33%

Por Da redação - Atualizado em 18 dez 2019, 15h14 - Publicado em 18 dez 2019, 14h34

A FDA, agência americana que controla medicamentos e alimentos, aprovou recentemente uma pílula à base de ômega-3 como adjuvante na prevenção de problemas cardiovasculares. O Vascepa (etil icosapente) é indicado para pacientes com triglicérides acima de 150 mg/dL ou que já tenham doença cardiovascular estabelecida ou diabetes em conjunto com, no mínimo, dois fatores de risco adicionais para doença cardiovascular.

O medicamento vem em cápsulas e seu principal ingrediente ativo é o ácido eicosapentaenóico (EPA), um ácido graxo ômega-3 extraído do óleo de peixe. De acordo com a FDA, o Vascepa é o primeiro medicamento aprovado pela agência para reduzir o risco cardiovascular como um complemento às estatinas.

Por muitos anos, o óleo de peixe ômega-3 foi prescrito por médicos e profissionais de saúde para prevenção de doenças cardiovasculares. Entretanto, não haviam evidências científicas confiáveis sobre esse efeito protetivo. A crença em seus benefícios era derivada da dieta mediterrânea. Rica em peixes e óleos vegetais – alimentos fonte de ômega-3, ela é eficaz na redução de problemas cardiovasculares. Sendo assim, a substância parou de ser recomendada pelas principais diretrizes de saúde para este fim. Até agora.

A eficácia e segurança de Vascepa foram estabelecidas em um estudo com 8.179 pacientes com 45 anos ou mais e histórico  de doença arterial coronariana, doença da artéria carótida, doença cerebrovascular e doença arterial periférica ou 50 anos ou mais com diabetes e fatores de risco adicionais para doença cardiovascular . Os resultados mostraram que aqueles que tomaram Vascepa tiveram uma probabilidade significativamente menor de experimentar um evento cardiovascular, como um acidente vascular cerebral (AVC) ou ataque cardíaco.

Publicidade

De acordo com o fabricante, o medicamento pode reduzir os níveis de triglicerídeos no sangue em cerca de 33%. Eles também aconselham quem receber a indicação para tomar o remédio, tomar duas cápsulas de 1 grama ou quatro cápsulas de 0,5 grama duas vezes ao dia, em conjunto com alimentos.

Os efeitos colaterais mais comuns relatados foram dor musculoesquelética, edema periférico (inchaço das pernas e mãos), fibrilação atrial e dor nas articulações. Também foi observado um risco aumentado de fibrilação atrial em pessoas que já tinham histórico do problema e maior risco de sangramento. Mas os pesquisadores acreditam que isso ocorra em pessoas que já tomam outros medicamentos associados a um maior risco de eventos hemorrágicos, como aspirina, clopidogrel ou varfarina.

Triglicérides e problemas cardiovasculares

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo: mais pessoas morrem anualmente por essas enfermidades do que por qualquer outra causa. Segundo dados do Sistema Público de Saúde (DATASUS), no Brasil, apenas no ano de 2016, ocorreram quase 350.000 mortes em decorrência desta doença. Por esse motivo, é importante tentar evitar seu desenvolvimento, principalmente em pessoas com risco aumentado.

Níveis elevados de triglicérides, um marcador de lipídios (gorduras) no sangue, são um fator de risco importante porque podem contribuir para o endurecimento ou espessamento das artérias o que pode aumentar o risco de um ataque cardíaco ou AVC. Outros fatores de risco incluem alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e uso nocivo do álcool.

Publicidade