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Entenda a associação entre déficit de atenção e distúrbio do sono

Segundo um novo estudo, 75% das pessoas com déficit de atenção enfrentam problemas para dormir – o que pode ser a origem do transtorno

Por Da Redação 4 set 2017, 20h05

Não é novidade que pessoas transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) também enfrentam dificuldades para dormir, mas até então, os dois problemas eram diagnosticados e tratados de forma separada. Agora, um estudo apresentado no domingo durante o encontro anual da Sociedade Europeia de Neuropsicofarmacologia, realizado em Paris, na França, sugere que a privação do sono pode ser, na verdade, a causa do transtorno.

“A maioria das pessoas com TDAH apresenta padrões semelhantes de dificuldades para pegar no sono e levantar de manhã, o que causa cansaço ao longo do dia e comprometimento nas funções [cotidianas]. A duração do sono [dessas pessoas] geralmente é curta devido às obrigações matinais como trabalho ou escola e essa falta de sono parece aumentar a gravidade dos sintomas do TDAH”, disse Sandra Kooij, pesquisadora do Centro Médico Universitário VU, em Amsterdam, na Holanda, e principal autora do estudo ao site especializado Medical News Today.

Sono x TDAH

Após revisar as evidências sobre a associação entre os dois problemas, Sandra concluiu que eles parecem ser “dois lados da mesma moeda”:

  • 75% das pessoas com TDAH têm um atraso de uma hora e meia na fase fisiológica do sono – sinais associados ao sono, como alterações nos níveis de melatonina e movimentos associados ao sono;
  • alterações da temperatura corporal associadas ao sono também são atrasadas nesses pacientes;
  • distúrbios do sono, como síndrome das pernas inquietas, apneia do sono e distúrbio do ritmo circadiano (dificuldade para pegar no sono) são comumente associados ao TDAH. Por sua vez, essas condições também estão associadas a alterações nos níveis dos neurotransmissores dopamina e melatonina, que podem ser causadas por problemas de sono;
  • pessoas com transtorno de déficit de atenção estão mais alertas a noite, característica oposta à população em geral;
  • muitas pessoas com o transtorno se beneficiam de tratamentos com melatonina a noite ou terapia de luz pela manhã, que ajudam a redefinir o ritmo circadiano;
  • estudos recentes mostraram que cerca de 70% dos adultos com TDAH apresentam hipersensibilidade à luz, característica também associada a problemas circadianos;
  • sono crônico tardio leva a um déficit crônico de sono, que por sua vez está associado a problemas como obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.

Para confirmar essa suspeita, o próximo passo da equipe será analisar a variação de outros biomarcadores, como níveis de vitamina D, glicose, cortisol e pressão sanguínea e frequência cardíaca de acordo com a falta de sono. Segundo ela, o trabalho abre a possibilidade de desenvolver tratamentos para o transtorno sem o uso de medicamentos.

“Se essa associação se confirmar, ainda restará a pergunta: é o TDAH que causa a falta de sono ou o contrário? E poderemos ser capazes de tratar alguns pacientes com o transtorno com métodos não-farmacológicos, como alterações na claridade ou nos padrões de sono e também prevenir o impacto negativo da privação crônica do sono.”, disse a autora.

TDAH

O TDAH, caracterizado por sintomas como hiperatividade, pouca atenção, dificuldades de auto-organização, mudanças de humor e impulsividade, mas que também pode incluir outras condições como dislexia, ansiedade e depressão, geralmente é observado em uma idade bastante precoce, quando a criança acaba de entrar na escola, por exemplo. Mas podem aparecer em qualquer momento da vida: estima-se que entre 2% e 5% das pessoas sofrerão com o transtorno em algum momento.

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