Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Emagrecer rapidamente não prejudica manutenção do peso, diz estudo

Pesquisa conclui que, diferente do que pregam diretrizes médicas, risco de engordar após dieta é semelhante entre perda de peso a curto ou longo prazo

Emagrecer de forma gradual ou perder muito peso rapidamente não têm efeitos diferentes sobre o risco de uma pessoa engordar novamente. Ao menos foi o que concluíram pesquisadores australianos, contrariando diretrizes médicas em relação ao tema, as quais sugerem que emagrecer em um período curto dificulta a manutenção do peso.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: The effect of rate of weight loss on long-term weight management: a randomised controlled trial​

Onde foi divulgada: The Lancet Diabetes & Endocrinology

Quem fez: Katrina Purcell, Priya Sumithran, Luke A Prendergast, Celestine J Bouniu, Elizabeth Delbridge e Joseph Proietto.

Instituição: Universidade de Melbourne, na Austrália.

Resultados: ​Seguir uma dieta restritiva ao longo de 12 semanas não dificulta o controle de peso após o tratamento, se comparada a uma semelhante, mas que dura 36 semanas.

A pesquisa, publicada nesta quinta-feira na revista média The Lancet Diabetes & Endocrinology, foi feita com 200 obesos. Os participantes foram divididos em dois grupos: parte deles foi submetida a um programa de emagrecimento rápido, que consistia em uma dieta com poucas calorias – de 400 a 800 por dia – ao longo de três meses. Já o outro grupo entrou em um programa de perda de peso gradual no qual deveriam comer 500 calorias a menos do que estavam acostumados ao dia durante nove meses.

Resultados – Segundo a pesquisa, 81% das pessoas do programa de emagrecimento rápido conseguiram atingir a meta do estudo, que era a de reduzir o peso em 12,5%. Já entre os participantes do grupo de emagrecimento gradual, 50% conquistaram o objetivo.

Leia também:

Para emagrecer, é melhor evitar carboidrato do que gordura

Nove estratégias para emagrecer sem contar calorias

Todos os indivíduos que conseguiram atingir a meta de emagrecimento foram submetidos a uma dieta para manutenção do peso durante os três anos seguintes. Os pesquisadores observaram que o tipo de dieta não influenciou na probabilidade de o participante voltar a engordar, o que aconteceu com 71% das pessoas de ambos os grupos. O programa de emagrecimento também não interferiu na quantidade de peso que um indivíduo recupera após emagrecer.

Segundo os autores do estudo, uma das possíveis explicações para o achado é o fato de que a perda de peso rápida pode motivar os indivíduos a manterem a dieta. Além disso, como a alimentação com maior restrição calórica tende a limitar os carboidratos, é possível que o organismo entre em um processo no qual queima a gordura corporal para conseguir energia.

“Pelo fato de as diretrizes recomendarem a perda de peso gradual para o tratamento da obesidade, há uma crença difundida de que quanto mais rápido se perde peso, mais rápido se ganha”, diz Katrina Purcell, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Opinião do especialista

Independentemente do tipo de dieta, a taxa de pessoas que voltou a engordar, de 71%, ainda é muito elevada e está longe do ideal, segundo a endocrinologista Claudia Cozer, coordenadora do núcleo de obesidade do Hospital Sírio-Libanês. “A dieta a curto prazo era muito restritiva, difícil de ser seguida por muito tempo. Foi por essa razão que as pessoas desse grupo emagreceram mais. No entanto, não há resultado positivo a médio e longo prazo”, diz a médica.

Segundo Claudia, dietas que provocam perda de peso de forma rápida são recomendadas somente em casos específicos, de pessoas que precisam emagrecer para algum evento, como um casamento ou a realização de uma cirurgia, por exemplo. Porém, adotar uma alimentação como essa com frequência pode causar mudanças na composição corporal. “A pessoa começa a perder músculo e gordura, o que não é bom. Além disso, esse tipo de restrição diminui as taxas de potássio e cálcio no sangue. Uma dieta ideal deve oferecer entre 1.100 a 1.200 calorias por dia, no mínimo”, afirma a endocrinologista.