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Em caso de dor, engane o cérebro

A ciência mostra que terapias como a eletroestimulação são eficazes para bloquear o caminho da dor e combater seus efeitos

Por Estúdio ABC - Atualizado em 27 jun 2016, 12h09 - Publicado em 27 jun 2016, 12h00

Os números impressionam. A cada três pessoas no mundo, uma sofre com dores crônicas, e 80% da população sente ou sentirá dor em algum momento da vida, segundo dados do XV Congresso Mundial da Dor. Em muitos casos, a dor é o problema e não o sintoma de alguma doença e para aliviá-la surgem cada vez mais alternativas de tratamentos. Eletroestimulação, termoterapia e acupuntura são bons exemplos já utilizados para aliviar dores de diversas causas, como musculares, reumáticas, ginecológicas e fibromialgia.

A cada dez mulheres que procuram um ginecologista, três se queixam de dores pélvicas crônicas. Elas podem ser cólicas menstruais ou estar ligadas a problemas como endometriose, vaginite, doença inflamatória, infecção urinária e constipação intestinal.

“Dores extremas e que persistem por mais de seis meses geram incapacidade funcional e comprometem a qualidade de vida”, diz o médico Paulo César Giraldo, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp).

A boa notícia é que os métodos de combate a esse tipo de dor estão cada vez mais acessíveis e menos invasivos. A ciência já deu o aval sobre a eficácia de métodos que ajudam a enganar o cérebro, ao bloquear o caminho da dor e seus efeitos. Um estudo premiado no XX Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, em 2015, comprovou, por exemplo, os benefícios da neuroestimulação (TENS) para o tratamento complementar de mulheres com endometriose.

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Veja, abaixo, três formas de aliviar os efeitos das dores ginecológicas.

Neuroestimulação Elétrica Transcutânea (TENS)
Uma das alternativas mais eficazes para aliviar dores crônicas, a tecnologia TENS age por meio de pulsos elétricos que impedem o estímulo da dor de chegar ao cérebro. As ondas têm efeito analgésico e aumentam a liberação de neurotransmissores responsáveis pela redução da dor, diminuindo a sensibilidade do local mesmo após o uso. Desde os anos 1980, as clínicas de fisioterapia usam a eletroestimulação. A grande novidade é a chegada de um aparelho simples, portátil e autoaplicável. Ele minimiza os efeitos das cólicas menstruais e de outras dores. “Dependendo do grau da dor ginecológica, a mulher não responde bem ao tratamento com medicamentos”, afirma a fisioterapeuta Ticiana Mira. “Com o TENS, ela passa a ter maior controle sobre o corpo.”

Acupuntura
A técnica criada na China consiste na aplicação de finas agulhas em pontos estratégicos do corpo, que variam conforme o diagnóstico e o efeito terapêutico desejado. Quando acionados pelas agulhas, esses pontos restabelecem o equilíbrio corporal. “As agulhas ajudam a estimular a produção de serotonina e endorfinas no sistema nervoso central, diminuindo a sensação de dor”, afirma o médico Paulo Giraldo.

Termoterapia
A aplicação terapêutica de substâncias que estimulam o aumento ou a diminuição da temperatura gera alívio rápido da dor. Envolve desde procedimentos simples, como o uso de bolsas térmicas e compressas de gelo, até mais elaborados, como a radiação infravermelha. Os benefícios são gerados pelo aumento do fluxo sanguíneo e do metabolismo. Pode combater o desconforto gerado por cólicas.

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