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ELA: novo medicamento para estágio inicial da doença degenerativa chega ao SUS

Uso da edaravona na rede pública será destinado a pacientes adultos nos estágios iniciais da doença

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jul 2026, 10h00 | Atualizado em 21 jul 2026, 13h54
ELA: novo medicamento para estágio inicial da doença degenerativa chega ao SUS Priorizar nos meus resultados Google

Um novo tratamento para pacientes adultos com esclerose lateral amiotrófica (ELA) em estágios iniciais foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão de uso da edaravona na rede pública foi publicada nesta terça-feira, 21, no Diário Oficial da União. O medicamento é indicado para pacientes com ELA em graus 1 e 2, com duração da doença menor ou igual a dois anos.

Segundo o documento, as áreas técnicas têm o prazo máximo de 180 dias para efetivar a oferta do tratamento pelo SUS. O objetivo da nova terapia é inibir o avanço da ELA, doença grave e progressiva que afeta os neurônios responsáveis por comandar os movimentos do corpo.

A condição é rara e a maioria dos casos (mais de 90%) não tem causa definida. Mais comum entre os 55 e 75 anos de idade, causa fraqueza muscular que piora gradualmente, afetando a capacidade de realizar atividades como andar, falar, engolir e até respirar, mas não costuma afetar a inteligência, a sensibilidade ou os sentidos (visão, audição, olfato e paladar).

Segundo o Ministério da Saúde, em uma pequena parcela dos pacientes (menos de 10%), a doença é familiar, ou seja, é herdada e pode haver mais de um caso na mesma família. O que se sabe é que a condição envolve a degeneração e a morte dos neurônios motores, mas os motivos exatos para que isso aconteça ainda são estudados pela ciência. Além disso, ainda não há cura conhecida para a ELA.

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O que é o novo remédio?

O edaravona foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2023. Lançado no Brasil pela farmacêutica Daiichi Sankyo, a substância deve ser administrada em clínica ou hospital, por meio de infusão intravenosa.

Segundo a bula do medicamento, seu objetivo é eliminar os chamados “radicais livres”, moléculas instáveis que causam dano oxidativo às células cerebrais. Os cientistas acreditam que o acúmulo anormal dessas moléculas contribui para a degeneração dos neurônios observada em pacientes com ELA.

Os estudos clínicos que embasaram sua aprovação mostraram uma desaceleração do declínio funcional em pessoas com ELA em fase inicial. Por isso, o medicamento é recomendado para um grupo restrito de pacientes, nos quais há maior probabilidade de benefício.

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Até então, o único tratamento específico para ELA disponível no SUS era o riluzol. O medicamento ajuda a retardar a progressão da doença, mas seu efeito é limitado e ele não interrompe a degeneração dos neurônios nem recupera as funções perdidas. A incorporação da edaravona amplia as opções de tratamento para pacientes em fase inicial da doença, com o objetivo de preservar a capacidade de realizar atividades do dia a dia por mais tempo.

Quais são os sintomas da ELA?

Os sintomas da condição surgem da fraqueza muscular causada pela perda dos neurônios. Eles podem variar, mas os principais incluem:

  • Fraqueza em uma mão, no braço ou em uma perna, como deixar cair objetos ou tropeçar com frequência;
  • Cãibras musculares e contrações involuntárias e visíveis dos músculos (fasciculações), principalmente na língua;
  • Dificuldade para falar (disartria), de modo que a voz fica anasalada ou pastosa;
  • Dificuldade para engolir (disfagia).
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Não existe um exame único para diagnosticar a doença. O diagnóstico é clínico, ou seja, o mneurologista avalia os sintomas, o histórico do paciente e faz um exame físico detalhado.

Para confirmar o diagnóstico e, principalmente, para descartar outras doenças que podem ter sintomas parecidos, o médico pode solicitar alguns exames complementares, como eletroneuromiografia, ressonância Magnética do crânio e coluna e exames de sangue. O diagnóstico pode levar alguns meses para ser concluído, já que é preciso acompanhar o avanço dos sintomas e afastar todas as outras possibilidades.

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