El Niño: Opas emite alerta sobre impactos do fenômeno na região das Américas
Relatório regional da entidade aborda seca, dengue e inundações entre problemas que afetam a saúde; Brasil é citado por piora na qualidade do ar
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta para a região das Américas sobre os impactos para a saúde pública decorrentes da atividade do El Niño, previsto para ter uma intensidade “muito forte” entre o final deste ano e o início de 2027.
No primeiro relatório regional da entidade sobre o fenômeno, são citados problemas como insegurança alimentar, secas, enchentes e incêndios florestais, que desencadeiam doenças transmitidas por água contaminada, proliferação de mosquitos e danos a unidades de saúde.
A entidade informou que já é possível detectar efeitos do El Niño em países do bloco, de modo que oito países e territórios já apresentaram declarações oficiais de emergência ou alertas relacionados a eventos climáticos extremos.
“O El Niño não é apenas um fenômeno climático. Ele pode afetar a saúde das pessoas de diversas maneiras, desde a insegurança alimentar e doenças transmitidas por vetores e pela água até interrupções nos serviços de saúde”, disse, em comunicado, Ciro Ugarte, diretor do Departamento de Emergências de Saúde da Opas.
Ele alerta para a intensidade do El Niño e pede mobilização imediata: “Com uma probabilidade superior a 90% de um evento muito forte, este é um risco que os países devem levar a sério e para o qual devem se preparar agora”. O índice foi estimado pelo Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês).
Segundo a Opas, mais de 5,2 milhões de pessoas que vivem na região das Américas “estão afetadas, expostas ou vivenciando insegurança alimentar aguda”.
“Com base nas informações disponíveis, o monitoramento identificou oito países ou territórios com seca ativa ou déficit hídrico, seis com incêndios florestais que representam risco ou impacto à saúde e cinco com impactos documentados de fortes chuvas ou inundações”, completa o comunicado.
El Niño no Brasil
O Brasil está entre os países com situação que preocupa a Opas, que apontou crise ambiental severa “com a diminuição dos níveis de água na bacia amazônica e a deterioração da qualidade do ar devido aos incêndios florestais”.
Embora ainda não tenha sido demonstrado que a população teve a saúde afetada, a entidade afirma que 630 municípios brasileiros têm níveis de material particulado fino (PM2.5) acima dos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Esse indicador de poluição atmosférica tem sido associado a complicações respiratórias, doenças cardiovasculares, como infartos, AVCs e câncer.
Diante das previsões de ondas de calor e chuvas intensas, o Ministério da Saúde lançou em junho de um conjunto de ações para mitigar os efeitos do fenômeno e aumentar a capacidade das equipes de saúde para atuação em situações de emergência.
As medidas contam com a ampliação das bases da Força Nacional do SUS para chegar em até 12 horas em ocorrências e a criação do Painel Nacional de Calor Extremo.
Corredor Seco
A Opas informou que países da América Central localizados em uma área conhecida como “Corredor Seco” têm sofrido com insegurança alimentar.
Na Guatemala, de acordo com a entidade, cerca de três milhões de pessoas estão em níveis críticos, problema enfrentado de forma aguda por uma população que pode chegar a 2,2 milhões de pessoas em Honduras.
Seca e escassez de água afetam Caribe, Jamaica, Porto Rico e Trinidad e Tobago.
Na Colômbia, o cenário mistura chuvas intensas e incêndios florestais, além de doenças transmitidas por mosquito: um surto ativo de dengue e o risco de casos de malária e febre amarela.





