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Efeito placebo ajuda no combate à enxaqueca

Pesquisa de Harvard mostrou que pacientes relataram algum alívio da dor ao ingerir pílulas falsas - mesmo quando sabiam se tratar de placebo

Por Da Redação - 8 jan 2014, 16h59

O sucesso de um tratamento contra algum problema de saúde não depende somente da ação do medicamento, mas também da expectativa que o paciente tem em relação aos resultados – se serão positivos ou negativos. E essa expectativa pode influenciar o tratamento mesmo se um paciente sabe que está tomando placebo em vez de remédio. É o que comprova um novo estudo americano sobre enxaqueca, publicado nesta quarta-feira na revista Science Translational Medicine.

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PLACEBO

O placebo é concebido como algo que imita um tratamento médico, mas não é, de fato, um tratamento verdadeiro – como uma pílula de açúcar, injeções salinas e cirurgias de mentira. Os medicamentos placebos geralmente têm o mesmo formato, cheiro, cor e apresentação do remédio de verdade. Embora os placebos não tenham ingredientes ativos, pesquisas sugerem que eles podem aliviar sintomas de determinadas condições médicas.

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Segundo os pesquisadores, grande parte da expectativa dos pacientes em relação ao sucesso de um tratamento é gerada pelas informações que o médico passa sobre a terapia prescrita. Por isso, o estudo revela aos profissionais que aumentar a confiança dos pacientes eleva a eficácia de um remédio. “O sucesso de uma terapia significa crises de enxaquecas menos duradouras e, consequentemente, uma menor necessidade de medicamentos”, diz Rami Burstein, um dos autores do estudo.

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Efeitos – Na nova pesquisa, a equipe comparou o efeito de remédios e placebo em diversos ataques de enxaquecas sofridos por 66 pacientes – ao todo, foram 450 crises ao logo do estudo.

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Inicialmente, os pacientes não receberam nenhum tratamento para controlar a enxaqueca. Eles relataram as dores que sentiam 30 minutos e 2h30 após o início da crise. Nos episódios seguintes de crise, os participantes foram submetidos a um entre quatro procedimentos: receberam um medicamento contra enxaqueca sabendo que estavam tomando um remédio; receberam o medicamento pensando que fosse um placebo; tomaram um placebo pensando que fosse um remédio; e tomaram um placebo sabendo que era placebo.

O alívio da dor mostrou-se maior entre os pacientes que foram informados estar tomando uma droga de verdade, em comparação aos que achavam que fosse placebo – embora o medicamento fosse real. Além disso, a melhora nos sintomas foi igual tanto quando os participantes tomaram o remédio achando que fosse placebo, quanto nos casos em que receberam placebo pensando que fosse uma droga ativa. “Isso demonstra que o placebo é um parceiro não reconhecido de remédios potentes”, diz Ted Kaptchuk, diretor do Programa em Estudos do Placebo e Encontro Terapêutico, onde o estudo foi feito.

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A pesquisa também observou que os pacientes que receberam placebo, mesmo quando sabiam o que estavam tomando, relaram um maior alívio da dor em comparação àqueles que não foram submetidos a nenhum tipo de terapia. “Contrariando a sabedoria convencional de que o tratamento funciona porque os pacientes acreditam receber uma medicação ativa, nossos achados reforçam a ideia de que o tratamento com placebo aberto (quando os pacientes sabem) também pode ter um benefício terapêutico”, escreveram os autores no artigo.

O Programa em Estudos do Placedo e Encontro Terapêutico pertence ao Centro Médico Beth Israel Deaconess, filiado à Faculdade de Medicina de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos. Criado em 2011, o programa é o primeiro dedicado a pesquisar os efeitos do placebo de uma forma interdisciplinar, envolvendo diversas áreas da ciência.

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