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Dormir e comer na mesma hora pode aliviar dores e melhorar o humor, sugere estudo

Estudo mostra que manter horários regulares para dormir e comer está associado a menos dor e menos sintomas de depressão em idosos

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jul 2026, 11h00 | Atualizado em 29 jul 2026, 14h36
Dormir e comer na mesma hora pode aliviar dores e melhorar o humor, sugere estudo Priorizar nos meus resultados Google

Quem nunca foi dormir mais tarde durante a semana e acordou sentindo que o corpo não acompanhou o relógio? Esse fenômeno, conhecido como “jet lag social”, ilustra os efeitos da desorganização da rotina sobre o organismo. Mas o oposto também é verdadeiro. Manter horários consistentes para dormir, comer e realizar as atividades diárias está associado a menos dor e menos sintomas de depressão, especialmente em idosos.

É o que mostra uma nova pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Missouri e recém-publicada na revista científica Journal of Behavioral Medicine. Segundo os pesquisadores, a regularidade dos horários parece beneficiar os idosos independentemente de eles sofrerem de insônia, um problema que afeta cerca de metade das pessoas com mais de 60 anos.

A análise reforça a importância de respeitar o chamado ritmo circadiano, o relógio biológico que coordena funções essenciais do organismo ao longo das 24 horas do dia.

O ritmo circadiano é um sistema interno que sincroniza diversas funções do organismo com o ciclo natural de claro e escuro. Ele influencia o momento em que sentimos sono, a produção de hormônios, a temperatura corporal, o metabolismo, o apetite e até o humor.

Embora a luz solar seja o principal regulador desse relógio biológico, outros hábitos do dia a dia também funcionam como “marcadores de tempo”. Alguns exemplos incluem os horários em que acordamos, fazemos as refeições, praticamos atividades físicas, trabalhamos ou estudamos, temos contato social e dormimos.

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Quando esses eventos acontecem em horários semelhantes todos os dias, o cérebro consegue manter esse sistema sincronizado. Já mudanças frequentes podem desorganizar o relógio biológico, prejudicando o funcionamento do organismo.

O que mostrou o estudo

Os pesquisadores acompanharam 67 adultos com idade média de 68 anos, sendo 37 diagnosticados com insônia. Já os outros tinham sono de boa qualidade. Os participantes responderam questionários sobre:

  • regularidade da rotina diária;
  • intensidade da dor;
  • sintomas depressivos;
  • índice de massa corporal (IMC).

Como esperado, os idosos com insônia apresentaram níveis significativamente maiores de dor e sintomas depressivos. Mas o resultado mais interessante apareceu quando os pesquisadores analisaram a rotina diária dos participantes. Independentemente de terem ou não insônia, aqueles que relataram manter horários mais regulares para suas atividades apresentaram:

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  • menor intensidade de dor;
  • menos sintomas de depressão;
  • IMC mais baixo.

Os benefícios permaneceram mesmo após ajustes estatísticos, sugerindo que a organização da rotina exerce influência própria sobre esses indicadores de saúde.

A autora do estudo, a pesquisadora Eunjin Tracy, explica que horários consistentes ajudam a manter sincronizados os relógios biológicos distribuídos pelo cérebro e pelos diferentes órgãos do corpo.

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“Se formos consistentes com os horários em que acordamos, comemos, trabalhamos ou estudamos, interagimos com os outros e vamos dormir, esses sinais temporais ajudam a sincronizar nossos relógios biológicos internos. A longo prazo, isso parece estar ligado a melhores resultados de saúde“, afirmou Tracy, em comunicado.

Quando esse sistema funciona adequadamente, processos fisiológicos ocorrem nos momentos mais apropriados. Já a perda dessa organização pode afetar o metabolismo, a resposta inflamatória, o humor e a qualidade do sono.

Os pesquisadores também chamam atenção para um fenômeno conhecido como jet lag social. Ele acontece quando uma pessoa mantém horários muito diferentes entre os dias úteis e os fins de semana. Por exemplo, dormindo à meia-noite durante a semana, mas apenas às três da manhã aos sábados. Embora não envolva viagens, essa mudança constante confunde o relógio biológico de maneira semelhante ao fuso horário, dificultando a adaptação do organismo. Segundo Tracy, manter horários semelhantes ao longo de toda a semana pode minimizar esse efeito.

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Os autores ponderam que os resultados não significam que uma rotina organizada “cure” a insônia. Os participantes com o distúrbio continuaram apresentando mais dor e sintomas depressivos do que aqueles que dormiam bem. Ainda assim, mesmo nesse grupo, a regularidade das atividades esteve associada a melhores indicadores de saúde.

Isso sugere que a organização dos horários pode funcionar como uma estratégia complementar aos tratamentos convencionais para insônia, como terapia cognitivo-comportamental, higiene do sono e, quando indicado, medicamentos.

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