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Doenças venéreas levaram homem (e a mulher) à monogamia

Estudo publicado na Nature Communications sugere as doenças sexualmente transmissíveis na sociedade pode ter influenciado a passagem da poligamia

Por Da Redação Atualizado em 7 dez 2020, 16h17 - Publicado em 13 abr 2016, 18h19

As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) teriam sido as responsáveis pelo surgimento dos relacionamentos monogamicos em nossa sociedade. De acordo com um estudo publicado na revista científica Nature Communications, a passagem de uma sociedade poligâmica para a monogâmica pode ter sido ocasionada pelo impacto das DSTs nas grandes comunidades que surgiram com o início da era agrícola.

O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, e do Instituto Max Planck para Antropologia Evolucionária, na Alemanha, baseou-se em modelos matemáticos. Os autores utilizaram estes modelos para analisar se infecções bacterianas sexualmente transmissíveis que podem causar infertilidade, como clamídia, gonorreia e sífilis, afetaram populações de tamanhos diferentes.

Os resultados mostraram que em comunidades poligâmicas pequenas (com cerca de 30 pessoas), os surtos de DSTs tinham curta duração. Isso permitia que a população logo se recuperasse e permanecesse como o modo de vida dominante, já que tinha um número maior de integrantes – em comparação com as tribos monogâmicas.

Entretanto, nas sociedades poligâmicas maiores (com cerca de 3000 integrantes) acontecia um efeito contrário: em vez destas doenças desaparecerem rapidamente, elas se tornaram endêmicas. Esse efeito causava uma redução na taxa de fertilidade e, consequentemente, a redução no tamanho destas populações. Com o passar do tempo isso permitiu que as sociedades monogâmicas se tornassem predominantes, com direito à punição daqueles que continuavam poligâmicos.

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“Nosso estudo mostra que as DSTs se desenvolvem de forma diferente, dependendo do tamanho dos grupos humanos e se eles são monogâmicos ou poligâmicos. Este estudo mostra como os eventos naturais, tais como a propagação de doenças contagiosas, podem influenciar fortemente o desenvolvimento de normas sociais e julgamentos morais”, explicou Chris Bauch, da Universidade de Waterloo e coautor da pesquisa, à AFP.

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Apesar dos resultados, os autores afirmam que erradicar as DSTs não nos faria voltar ao estilo poligâmico. “Há vários outros fatores que fazem a sociedade impor a monogamia. Acredito que é prematuro dizer que o casamento vai desaparecer ou que a poligamia vai retornar se a questão das DSTs for resolvida”, afirma Bauch.

(Da redação)

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