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Dieta rica em gorduras afeta sensibilidade do estômago

Pesquisa pode ajudar a explicar por que obesos que conseguem emagrecer voltam a ganhar peso quando encerram uma dieta

Por Da Redação - 16 set 2013, 12h01

O estômago possui nervos especialmente voltados para transmitir ao cérebro a informação que ele está cheio de comida, gerando a sensação de saciedade. Um novo estudo publicado nesta segunda-feira na revista International Journal of Obesity mostrou que a atividade desse nervo pode ser modificada por dietas ricas em gordura, que fazem com que ele perca sua sensibilidade, levando a uma ingestão maior de alimentos. Essa insensibilidade persiste mesmo após o paciente perder peso e emagrecer – o que explicaria a dificuldade que algumas pessoas têm de manter a forma após encerrar uma dieta.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Altered gastric vagal mechanosensitivity in diet-induced obesity persists on return to normal chow and is accompanied by increased food intake

Onde foi divulgada: periódico International Journal of Obesity

Quem fez: Amanda Page, entre outros pesquisadores

Instituição: Universidade de Adelaide, Austrália

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Resultado: Os pesquisadores descobriram que uma dieta rica em gordura é capaz de alterar a sensibilidade dos nervos responsáveis por transmitir os sinais de saciedade ao cérebro. Essa alteração seria mantida mesmo após o indivíduo trocar de dieta e emagrecer

Em um estudo de laboratório, os pesquisadores analisaram a sensibilidade dos aferentes vagais gástricos – responsáveis por transmitir para o sistema nervoso as mensagens vindas do estômago – e sua sensibilidade à leptina, o hormônio que regula a saciedade.

Assim, descobriram que, no longo prazo, uma dieta rica em gordura faz com que esses nervos percam gradativamente a sensibilidade. “O pior é que os nervos do estômago não retornam ao normal após o regresso a uma dieta comum. Isso significa que o indivíduo ainda vai precisar ingerir mais comida antes de sentir o mesmo grau de saciedade que um indivíduo saudável “, diz Amanda Page, pesquisadora da Universidade de Adelaide, na Austrália, e autora do estudo.

Além disso, os cientistas descobriram que a ação da leptina também contribui para alterar a transmissão dos sinais de saciedade para o cérebro. “Em condições normais, a leptina age para que a pessoa encerre o consumo de alimentos. No entanto, em estômagos submetidos a dietas de elevado teor de gordura, ela acaba contribuindo para dessensibilizar os nervos que detectam saciedade”, diz a pesquisadora. “Esses dois mecanismos combinados significam que as pessoas obesas precisam comer mais para se sentir cheias, o que contribui para dar seguimento ao ciclo da obesidade.”

Dietas – Segundo os cientistas, a pesquisa pode ajudar a tratar tanto pacientes obesos que tentam perder peso quanto pacientes que já conseguiram emagrecer e tentam manter a nova forma. “Nós sabemos que apenas 5% das pessoas que passam por dietas são capazes de manter sua perda de peso, e que a maioria dessas pessoas acaba engordando novamente dentro de dois anos”, diz Amanda Page.

A pesquisadora afirma que são necessárias mais pesquisas para descobrir se a perda de sensibilidade dos nervos do estômago é permanente ou pode ser revertida de algum modo. “Nós precisamos de mais pesquisas para determinar por quanto tempo dura esse efeito e se há alguma maneira – química ou não – para enganar o estômago e fazê-lo voltar à sua sensibilidade normal. “

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