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Crianças urbanas têm mais alergias alimentares do que as que vivem em áreas rurais

Estudo aponta que 9,8% das crianças de áreas urbanas e 6,2% das que vivem em regiões rurais têm algum tipo de alergia alimentar

De acordo com um estudo que será publicado na edição de julho do periódico Clinical Pediatrics, crianças que moram em áreas urbanas têm mais riscos de terem alergia alimentar. Dados do levantamento apontam que enquanto 9,8% das crianças de centros urbanos têm alergia alimentar, 6,2% das que vivem em áreas rurais têm o problema. Aquelas que moram em grandes cidades são as mais prejudicadas: elas têm duas vezes mais riscos de desenvolver alergias a amendoim e a crustáceos.

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“Descobrimos, pela primeira vez, que regiões com alta densidade populacional têm uma maior probabilidade de terem crianças com alergias alimentares”, diz Ruchi Gupta, responsável pelo estudo. “Tendências semelhantes sobre o impacto do ambiente também já foram vistas com a asma. A grande questão, no entanto, é descobrir quais fatores do ambiente que estão desencadeando essas alergias”, diz.

Levantamento – O estudo analisou dados de 38.465 jovens com menos de 18 anos. A alergia alimentar foi mapeada de acordo com o código postal de cada voluntário. Descobriu-se, então, que 9,8% das crianças de centros urbanos têm alergia alimentar, frente a 6,2% das de áreas rurais. Alergias a amendoim são duas vezes mais comuns em centros urbanos, com 2,8% das crianças – frente a 1,3% nas áreas rurais. Alergias a crustáceos têm mais do que o dobro da prevalência em centros urbanos: 2,4%, frente a 0,8% em áreas rurais.

As alergias alimentares são igualmente severas, independente de onde a criança resida. Quase 40% das que têm a condição já vivenciaram uma reação grave e com risco de vida. Segundo o estudo, os estados americanos (país onde foi feito o levantamento) que têm as maiores prevalências de crianças com alergias alimentares são Nevada, Flórida, Geórgia, Alasca, Nova Jersey, Delaware, Maryland e o Distrito de Columbia.

Incidência – A alergia alimentar é um problema de saúde sério e crescente. Estima-se que 5,9 milhões de jovens com menos de 18 anos – ou 1 a cada 13 – tenham algum tipo de alergia alimentar que pode colocar sua vida em risco. Uma reação alérgica severa que pode levar à morte traz consequências como queda de pressão sanguínea, problemas para respirar e inchaço na garganta.

Pesquisas anteriores já haviam apontado um aumento nos casos de asma, eczema, rinite alérgica e conjuntivite em áreas urbanas, frente à rural. Uma hipótese é a de que a exposição nas primeiras fases da vida a certas bactérias associadas com a vida rural pode proteger contra a hipersensibilidade hereditária a alguns alergênicos. Há ainda a tese de que muitos poluentes encontrados em áreas urbanas podem desencadear o desenvolvimento de alergias.