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Crianças, mais do que adultos, gostam de alimentos salgados e doces

Segundo pesquisa, a preferência por comidas menos saudáveis se deve à fase de crescimento dos pequenos — e não a fatores genéticos, como entre adultos

Por Da Redação - 17 mar 2014, 18h09

Crianças gostam mais de alimentos ricos em açúcar e sal do que os adultos, revelou uma pesquisa do Monell Chemical Senses Center, nos Estados Unidos, publicado nesta segunda-feira no periódico Plos One.

“Nosso estudo mostrou que as preferências infantis são, em parte, biológicas”, afirma a líder do estudo, Julie Mennela. Fatores biológicos nos predispõem a gostar de comidas com muito açúcar ou sal, e isso é especialmente aplicável aos pequenos. “As crianças podem se tornar mais vulneráveis à dieta moderna, que é diferente da do passado, quando sal e açúcar eram mercadorias caras e raras.”

Participaram da pesquisa 108 crianças de 5 a 10 anos e suas mães. Os cientistas mediram o peso, a altura e o percentual de gordura de cada participante antes dos testes e coletarem amostra de saliva e urina. Tanto as crianças quanto as mães consumiram caldos e bolachas com variadas concentrações de sal, assim como líquidos e geleias com diferentes teores de açúcar. Após provar os alimentos, os voluntários escolheram seu favorito. As mães escreveram também uma lista das comidas e bebidas ingeridas por elas e pelos filhos nas 24 horas anteriores ao experimento.

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Quando compararam as escolhas de cada um, os cientistas observaram que os pequenos gostavam mais de comidas salgadas e doces do que os adultos. Os pequenos que elegeram as bebidas açucaradas como favoritas tinham altura acima da média – mais estudos são necessários para entender essa relação, dizem os cientistas -, enquanto os que votaram nos salgados tinham maior índice de gordura corporal. Os cientistas constataram também que um fator genético determina, no caso dos adultos, a preferência por doces ou salgados. “Nas crianças, vimos que havia outros fatores envolvidos, como a fase de crescimento, que é mais forte do que a genética”, diz a colaboradora da pesquisa, Danielle Reed.

Todos os participantes que preferiam comidas salgadas haviam consumido mais sal nas últimas 24 horas do que os demais, mas os que votaram no açúcar não tinham ingerido maior quantidade de doces do que os outros. Essa diferença pode significar que os pais são mais rígidos no controle do açúcar do que no do sal. Ou que os fabricantes estejam usando adoçantes em alimentos para crianças.

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A pesquisa alerta, ainda, para os danos que podem ser causados pelo consumo exagerado dos dois ingredientes. “Essa dieta interfere no crescimento e desenvolvimento das crianças, podendo levá-las a desenvolver doenças como diabetes no futuro”, diz Julie. Na pesquisa, foi relatado que dois terços dos participantes que estavam acima do peso consumiam duas vezes a quantidade recomendada de sal e adicionavam quase 20 colheres de chá de açúcar por dia nos seus alimentos.

“O estudo pode servir como um aviso para os pais regularem a dieta de seus filhos, já que eles são levados pelo desejo de comer quantidades exageradas de açúcar e doce. A pesquisa também abre caminho para a promoção de estratégias que combinem alimentação saudável e as preferências infantis”, afirma Julie.

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