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Covid-19: nova vacina americana deve começar testes no Brasil em janeiro

Projeto prevê a inclusão de 3 000 voluntários em cinco centros de estudos brasileiros

Por Mariana Rosário Atualizado em 20 nov 2020, 18h24 - Publicado em 20 nov 2020, 18h20

A Covaxx, vacina para a Covid-19 que está sob a gestão da biofarmacêutica americana United Biomedical, deve começar a ser testada no Brasil em janeiro. O estudo de fases 2 e 3 será coordenado pelo laboratório Dasa, especializado em medicina diagnóstica. A ideia é submeter o pedido de autorização para realizar o estudo ainda no começo de 2021 à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A liberação por parte do orgão leva no máximo 72 horas para ocorrer, no atual cenário de pandemia. Tão logo seja liberada, se configurará como a quinta vacina em fase 3 (a mais avançada) testada para Covid-19 no Brasil.

Já se sabe que o imunizante será testado em pelo menos 3.000 voluntários em cerca de cinco centros de estudo em diferentes áreas brasileiras. O estudo deve recrutar adultos e idosos com e sem comorbidades para a Covid-19. Ainda não está definido se as análises estarão restritas aos profissionais da saúde, mas haverá um recorte exclusivo para pessoas com grande exposição ao vírus, como profissionais de área de segurança.

Até agora já foram arrecadados cerca de 30 milhões de reais para conduzir os estudos de fase 2 e 3, mas esse valor pode ganhar importantes acréscimos, sobretudo se o número de voluntários sofrer uma alteração. De acordo com a Dasa, o processo está bem avançado, já tendo ocorrido reuniões de orientação com a Anvisa, e com os protocolos necessários para a submissão dos estudos preenchidos. Ainda faltam completar alguns detalhes, como a definição se o estudo contará com uma ou duas doses do imunizante — ou do medicamento placebo.

Para alinhar os termos da pesquisa, há reuniões semanais entre a empresa brasileira e a americana por videochamada. A previsão é que o estudo dure 24 meses, mas resultados preliminares devem ser conhecidos ainda em 2021. A Fase 1 de testes ocorre em Taiwan. As fases pré-clinicas do estudo obtiveram resultados promissores, diz o comunicado da empresa.

“A Dasa já tinha uma relação com a United Biomedical. Quando eles começaram a desenvolver essa vacina nos chamaram para conversar. Achamos que faria sentido esta parceria, temos boa estrutura para isso. Este momento que estamos passando passando deixa um legado para a comunidade científica do país, vamos sair mais relevantes”, diz Gustavo Campana, diretor médico da Dasa.

A Covaxx estima a produção de 100 milhões de doses no primeiro quadrimestre de 2021. Já é sabido que 10 milhões devem ser destinadas a laboratórios privados e 50 milhões à rede pública. A escalada rápida na produção, diz a empresa, é possível pois o medicamento não leva partes do novo coronavírus (o que requer cultivo do vírus) em sua produção, sendo um imunizante sintético, produzido a partir de peptídeos que disparam a resposta imune no corpo.

Nesta sexta-feira, 20, o Brasil teve médias móveis atualizadas em 29.930 diagnósticos e 554 mortes por conta do novo coronavírus.

 

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