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Covid-19: Fome e desnutrição dispararam no mundo durante a pandemia

Relatório da ONU estima que cerca de um décimo da população global - cerca de 811 milhões de pessoas - estava subnutrida no ano passado

Por Giulia Vidale 12 jul 2021, 18h17

A última edição do relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo, publicado nesta publicado nesta segunda-feira, 12, por cinco agências ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU), revelou que houve um agravamento dramático da fome mundial em 2020. Embora o impacto da pandemia ainda não tenha sido totalmente mapeado, acredita-se que o efeito seja mais uma consequência da pandemia de coronavírus. No ano passado, um décimo da população global – até 811 milhões de pessoas – estava subnutrida. Isso pode impactar diretamente a meta de erradicar a fome no mundo até 2030.

“Infelizmente, a pandemia continua a expor fraquezas em nossos sistemas alimentares, que ameaçam a vida e o sustento de pessoas em todo o mundo”, escrevem os chefes da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em muitas partes do mundo, a pandemia provocou recessões brutais e prejudicou o acesso aos alimentos. No entanto, mesmo antes da pandemia, a fome estava se espalhando desde meados de 2010. Mas disparou perturbadoramente em 2020.

Mais da metade de todas as pessoas subnutridas (418 milhões) vivem na Ásia; mais de um terço (282 milhões) na África; e uma proporção menor (60 milhões) na América Latina e no Caribe. O aumento mais acentuado do último ano ocorreu na África, onde a prevalência estimada de desnutrição – em 21% da população – é mais do que o dobro de qualquer outra região.

Outros dados também assustam. Mais de 2,3 bilhões de pessoas, equivalente a 30% da população global, não tinham acesso a alimentação adequada durante todo o ano passado. Este indicador – conhecido como prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave – saltou em um ano tanto quanto nos cinco anteriores juntos. A desigualdade de gênero também se aprofundou: para cada 10 homens com insegurança alimentar, havia 11 mulheres. Em 2019, eram 10,6.

Estima-se que mais de 149 milhões de crianças com menos de cinco anos sofriam de nanismo ou eram muito baixos para sua idade; mais de 45 milhões estavam muito magros para sua altura e quase 39 milhões com excesso de peso. Três bilhões de adultos e crianças permaneceram excluídos de dietas saudáveis, em grande parte devido aos custos excessivos. Quase um terço das mulheres em idade reprodutiva sofre de anemia.

Cenário brasileiro

No Brasil, uma a cada quatro pessoas sofreu com a falta de comida de maneira moderada ou severa entre 2018 e 2020. Em comparação com o período anterior, 2014 a 2016, são 12,1 milhões de brasileiros a mais em insegurança alimentar. A quantidade de brasileiros em situação grave dobrou no mesmo período, passando de 1,9% para 3,5%.

O que pode ser feito

Transformar os sistemas alimentares é essencial para alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e colocar dietas saudáveis ​​ao alcance de todos, afirma o documento. Outros caminhos de transformação incluem integrar políticas humanitárias de desenvolvimento e de construção da paz em áreas de conflito, aumentar a resiliência climática em todos os sistemas alimentares, fortalecer a resiliência dos mais vulneráveis ​​à adversidade econômica, intervir ao longo das cadeias de abastecimento para reduzir o custo de alimentos nutritivos, combater a pobreza e as desigualdades estruturais e fortalecer os ambientes alimentares e mudar o comportamento do consumidor.

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