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Coronavírus: estudo diz que 50% dos brasileiros estão em isolamento social

De acordo com especialistas, o dado está abaixo do necessário para controlar o avanço dos casos no país

Por Alexandre Senechal Atualizado em 19 mar 2021, 01h35 - Publicado em 8 abr 2020, 15h31

Dados de uma empresa de tecnologia chamada In Loco, que faz análises a partir da localização de celulares disponíveis em sua base de dados, aponta que Goiás é o Estado brasileiro que tem o maior número de pessoas seguindo a orientação de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus. O levantamento foi publicado pelo governador Ronaldo Caiado.

A estimativa do Mapa Brasileiro da Covid-19 informa que 50% da população está de quarentena em casa, número não satisfatório para enfrentar a pandemia do novo coronavírus, de acordo com especialistas. As estimativas são feitas sobre 60 milhões de telefones celulares e não contam como dados oficiais.

A imagem divulgada por Caiado traz também os dados do último domingo, 5. Na data, Goiás tinha 66,04% das pessoas em isolamento, superior à media nacional que estava na ordem de 62,2%. Na manhã desta quarta-feira 8, a In Loco divulgou os dados referentes à segunda-feira, 6, o registro da população brasileira que não saiu de casa estava em 50,7%.

Em São Paulo, Estado com maior quantidade de infectados e mortos, a estimativa representa 50,2%. A secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, chegou a afirmar que somente os países que mantiveram 70% da população em casa conseguiram controlar o contágio.

“Distanciamento social é a melhor medida, de acordo com as experiências observadas pelos países onde tivemos um número mais elevado de casos e uma resposta mais eficaz na contenção da propagação. É fundamental que as pessoas cumpram essa recomendação. Só assim vamos achatar a curva e diminuir o contágio”, explica Leonardo Weissmann, médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

  • O Mapa Brasileiro da Covid-19 apresenta números desde o dia 1º de fevereiro, quando cerca de 25% da população estava em quarentena. O estudo também sugere que as decisões governamentais influenciam o gráfico. Na semana dos pronunciamentos do presidente Jair Bolsonaro sobre o novo coronavírus ser uma “gripezinha”, os níveis registraram uma queda de 15 pontos percentuais (de 70% para 55%).

    Rosana Richtmann, outra infectologista do Emílio Ribas e também consultora da SBI, acredita que esse tipo de posicionamento de autoridades é uma “total irresponsabilidade” e aponta o distanciamento social e a realização de testes como as principais medidas no combate ao novo coronavírus. De acordo com a especialista, estudos sugerem que seria necessário um isolamento de 75% da população para que o controle da pandemia ocorra.

    “Se a gente não fizer nada, vamos ter mais de 1 milhão de brasileiros mortos nos próximos meses. Se fizer, esse número cai para 44.000. Claro que é muita gente, representa a população de várias cidades, mas é um número muito menor. Ainda não temos teste e nem chegamos ao pico da nossa curva. O isolamento é essencial”, diz Rosana.

    Mais de 100 óbitos foram confirmados nas últimas 24 horas no Brasil. O país já registrou 667 mortes e 13.717 infectados até esta terça-feira, 7. A taxa de mortalidade está em 4,9%.

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