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CoronaVac: voluntários foram altamente expostos ao vírus, diz Butantan

Especialistas afirmaram que teste foi conduzido de forma diferente do que outras vacinas com taxa de efetividade mais alta

Por Mariana Rosário Atualizado em 12 mar 2021, 00h59 - Publicado em 12 jan 2021, 13h44

O governo do Estado de São Paulo revelou nesta terça-feira, 12, que a eficácia global da vacina contra a Covid-19 CoronaVac é 50,4%. O dado diz respeito a todas as manifestações da doença após a vacinação, mesmo as muito brandas, que não necessitam de ajuda médica. Na ocasião, o secretário Jean Gorynchtein ratificou o caráter seguro do fármaco.

O número está acima dos 50% mínimos pedidos pela a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que o medicamento seja aprovado e também estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A taxa da eficácia global, divulgada hoje, é importante para gestores de saúde pois com ela é possível saber o quanto da população precisa ser vacinada para que se atinja a imunidade coletiva — barrando a disseminação da doença.

Em sua fala nesta terça, Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, afirmou que, em abril, havia uma vacina já desenvolvida — na China, pela Sinovac, — para combater o Sars-Cov-1, o vírus que causou a epidemia de Sars. E que este medicamento foi adaptado para o novo coronavírus. Ele disse que, nos testes brasileiros de fase 3, as pessoas elencadas para realizar os testes estavam expostas a altas cargas virais diariamente: profissionais da saúde. “Escolhemos a população que desafiaria a vacina de forma mais intensa”, disse. “É o teste mais difícil e mais duro que uma vacina pode enfrentar”, comentou, em relação a outros testes com vacinas que teriam aplicado doses em outros públicos— menos expostos à Covid-19.

Em relação a isso, o diretor médico do Instituto Butantan, Ricardo Palácios, afirmou que a escolha da população de estudo — profissionais de saúde com contato de Covid-19 — foi uma forma de garantir um teste “difícil” para a vacina, garantindo, deste modo, que ela se comportaria melhor na população com menos exposição à doença. Além disso, ele disse que o monitoramento levou em conta até os casos mais leves possíveis.

Ele afirmou que a CoronaVac é “uma das melhores vacinas do mundo”, sobretudo, por conta de sua segurança e facilidade de transporte. Covas disse que novos testes devem ser deflagrados, um deles com crianças e adolescentes. No Brasil, 12.508 pessoas participaram dos testes em dezesseis centros de pesquisa em oito estados.

A CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica Sinovac Life Science, teve o pedido de uso emergencial protocolado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na sexta-feira, 8.

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