Coreia do Norte tem hospitais sujos e sem remédios

País cobra por atendimento - e diz no exterior que é gratuito

Por Da Redação - 15 jul 2010, 11h25

“Se você não tem dinheiro, você morre”, disse uma das entrevistadas pela Anistia Internacional

A Coreia do Norte sob a ditadura de Kim Jong-il não oferece nem sequer o mais básico atendimento médico aos seus cidadãos. De acordo com um relatório divulgado nesta quinta-feira pela Anistia Internacional, quase todos os hospitais do país mais isolado do planeta funcionam de maneira precária. Pior: são sujos. Para completar, o problema da desnutrição multiplica as epidemias.

Conforme números da Organização Mundial da Saúde (OMS), o governo de Pyongyang gasta menos de um dólar por pessoa a cada ano na área da saúde. O novo relatório da ONG de defesa dos direitos humanos foi feito com base em uma série de entrevistas com pessoas que deixaram o país nos últimos anos, além de depoimentos de profissionais norte-coreanos da saúde.

A ditadura de Kim fala que oferece assistência médica gratuita a todas as pessoas. Os norte-coreanos ouvidos pela Anistia Internacional, porém, avisam que tiveram que pagar por todos os atendimentos de que precisaram. “Todo mundo sabe que é preciso pagar no hospital”, disse uma das entrevistadas. “Se você não tem dinheiro, você morre”, resumiu ela, que escapou do país há dois anos.

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Mesmo cobrando dos pacientes, os hospitais não costumam ter remédios – nem mesmo anestesias. Uma mulher de 56 anos contou que passou por uma cirurgia de retirada de apêndice sem qualquer medicamento para aliviar a dor. “A operação durou mais de uma hora, e eu gritava de dor. Me amarraram para impedir que eu me movesse”, contou. Em alguns casos, os pacientes precisam trocar cigarros ou bebidas alcoólicas por remédio.

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