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Coquetel de anticorpos é eficaz na prevenção da Covid-19

Estudo publicado na New England Journal of Medicine mostrou que o REGEN-COV preveniu casos sintomáticos e assintomáticos da doença em ambiente domiciliar

Por Giulia Vidale Atualizado em 5 ago 2021, 19h29 - Publicado em 4 ago 2021, 19h03

O coquetel formado pelos anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe reduz em 81,4% o risco de casos sintomáticos da Covid-19 em pessoas que moram na mesma residência que alguém infectado, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira, 4, na prestigiada revista New England Journal of Medicine. A pesquisa mostrou também que o medicamento reduziu a probabilidade de casos assintomáticos da doença e, naqueles que desenvolveram sintomas, eles foram mais brandos e duraram menos tempo.

O medicamento, desenvolvido pela Regeneron, ficou mundialmente conhecido após ser usado no tratamento do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Agora, os pesquisadores conseguiram comprovar que além de tratar a Covid-19, ele também pode ser usado de forma eficaz na chama profilaxia pós-exposição. Ou seja, para prevenir o desenvolvimento da doença em pessoas que foram expostas ao vírus por meio do contato próximo com alguém infectado.

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A fase 3 de testes clínicos analisou dados de 1.505 participantes a partir de 12 anos de idade, da fase 3 de testes clínicos do tratamento. Eles foram divididos em dois grupos: metade recebeu uma injeção de 1.200 mg da combinação de anticorpos em até 96 horas após um contato domiciliar receber um diagnóstico positivo de infecção por SARS-CoV-2, os demais, receberam um placebo no mesmo período. Os participantes foram acompanhados por 28 dias após receberem a injeção.

Os resultados mostraram que o REGEN-COV, nome comercial do medicamento nos Estados Unidos (no Brasil, ele está licenciado como REGN-COV2), apenas 1,5% dos participantes do grupo do medicamento desenvolveram sintomas da doença. No grupo placebo foram 7,8%. Isso equivale a uma redução de 81,4% no risco. O medicamento também reduziu em 66,4% o risco de infecção, incluindo casos assintomáticos, assim como a duração dos sintomas e a carga viral.

Os principais eventos adversos relatados foram dor de cabeça e reação no local da injeção. Não houve relato de eventos adversos graves em nenhum dos grupos.

“Esses dados fornecem suporte para o potencial uso de REGEN-COV para prevenir a infecção por SARS-CoV-2 e doença sintomática. […] Apesar da crescente administração de vacinas altamente eficazes, o SARS-CoV-2 não foi erradicado. […] Por essas razões, persistirá a necessidade de uma abordagem complementar para prevenir a propagação de infecção por SARS-CoV-2”, escreveram os autores.

No Brasil, ainda não existe um medicamento aprovado como profilaxia pós-exposição para prevenir a infecção pelo novo coronavírus. O coquetel formado pelos anticorpos monoclonais casirivimabe e imdevimabe  (REGN-COV2) teve seu uso emergencial aprovado pela Anvisa no fim de abril para o tratamento de pessoas a partir de 12 anos de idade, com PCR positivo e sintomas leves de Covid-19 e alto risco de progredir para doença grave. Nestes casos, o uso é intravenoso. O novo estudo mostra que um novo método de aplicação, a injeção subcutânea, que é mais simples de administrar, é eficaz e seguro.

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Nos Estados Unidos, a FDA, agência que regula medicamentos, autorizou na última sexta-feira, 30, o REGEN-COV para a prevenção da doença em pessoas de alto risco, que tiveram contato com alguém infectado. Vale ressaltar que a melhor forma de se proteger e prevenir a infecção é por meio da vacinação. Apesar da autorização do uso profilático do medicamento, a FDA ressalta que a profilaxia com REGEN-COV não substitui a vacinação contra a Covid-19. “A FDA recomenda que você seja vacinado, se for elegível”, ressalta a agência, em comunicado.

Nesta quarta-feira, 4, o Brasil ultrapassou 49,9% da população imunizada com ao menos uma dose e 20,6% com esquema de vacinação completo com duas doses ou com a injeção única da Janssen.

Confira o avanço da vacinação no Brasil:

 

 

 

 

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