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Controle a pressão para manter distância do Alzheimer, conclui maior estudo já feito sobre o tema

Tratar a hipertensão reduz em 15% risco de demência, segundo pesquisa divulgada no congresso europeu de cardiologia

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 ago 2026, 14h00 | Atualizado em 1 set 2026, 10h54
Controle a pressão para manter distância do Alzheimer, conclui maior estudo já feito sobre o tema Priorizar nos meus resultados Google

Um estudo que acaba de ser apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, em Munique, na Alemanha, indica que o prêmio por manter a pressão arterial sob controle pode ser bem maior do que se imaginava: nada menos que proteger a memória e a cognição.

Os dados vêm do Programa Chinês de Controle da Hipertensão Rural, conduzido pela Universidade Médica da China, em Shenyang. A pesquisa foi apresentada em uma sessão de destaque do evento europeu e mostrou que baixar a pressão de forma intensiva reduziu em 15% o risco de demência ao longo de sete anos, na comparação com o tratamento padrão.

Uma batalha silenciosa e uma tática de guerrilha 

A urgência do achado tem números para justificar. Estima-se que o total de pessoas com demência no mundo salte de 57 milhões em 2019 para 153 milhões em 2050 — quase o triplo em três décadas. Como ainda não existe cura, prevenir tornou-se a única arma disponível, e a hipertensão é um dos poucos fatores de risco que podem ser modificados.

O desenho do estudo ajuda a explicar a força dos resultados. Pesquisadores sortearam 326 vilarejos rurais chineses para receber, de forma aleatória, ou o acompanhamento padrão, ou um programa intensivo de controle de pressão tocado por agentes comunitários de saúde sem formação médica, mas treinados e supervisionados por médicos.

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Ao todo, 33.995 adultos com 40 anos ou mais participaram, com idade média de 63 anos e maioria de mulheres (61%).

Nesse grupo, os agentes de saúde ajustavam a medicação seguindo um protocolo simples, em etapas, até que a pressão do paciente ficasse abaixo de 130 por 80 mmHg — patamar mais rigoroso que o usado na prática clínica convencional na maior parte do mundo. O grupo de comparação seguiu apenas os cuidados de rotina.

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A diferença de resultado entre os dois grupos foi expressiva: quem passou pelo programa intensivo teve uma queda média de quase 18 mmHg na pressão sistólica (a “máxima”) ao longo dos sete anos, contra uma queda de pouco mais de 2 mmHg no grupo de cuidado padrão.

Foi nesse contexto que a diferença na taxa de demência apareceu. Ao final do estudo, 8,85% dos participantes do grupo intensivo haviam desenvolvido algum tipo de demência, contra 10,55% no grupo de cuidado padrão — uma diferença absoluta de 1,7 ponto percentual, que corresponde à redução relativa de 15% mencionada nos resultados. O grupo tratado de forma mais intensiva também teve 13% menos casos de comprometimento cognitivo leve, aquele estágio intermediário em que a memória já falha, mas ainda não configura demência.

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Outro dado merece atenção: mesmo sendo mais agressivo no controle da pressão, o esquema intensivo não aumentou os efeitos colaterais graves — pelo contrário, a proporção de eventos adversos sérios foi ligeiramente menor no grupo tratado.

Uma grande ideia a ser copiada pelo SUS

O aspecto mais interessante do estudo, do ponto de vista de saúde pública, pode não ser o remédio em si, mas quem o administrou: agentes comunitários sem formação médica, seguindo um protocolo padronizado e supervisão à distância.

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É um modelo que lembra, em espírito, a lógica das equipes de saúde da família no Brasil, e que os próprios autores descrevem como “escalável” — replicável em larga escala e a baixo custo em países com recursos médicos limitados.

Para o líder da investigação, o achado reforça que programas estruturados de controle de pressão dentro da atenção primária podem funcionar como estratégia de prevenção de demência em nível populacional, e não apenas como proteção cardiovascular.

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O que ainda falta saber

Vale um parêntese de cautela: os resultados foram divulgados em congresso, e ainda não passaram pela publicação completa e revisão por pares em uma revista científica, etapa que costuma trazer mais detalhes metodológicos e permitir escrutínio independente.

Ainda assim, por se tratar de um estudo de intervenção controlada — e não apenas observacional —, a relação entre baixar a pressão e reduzir o risco de demência tem respaldo mais forte do que na maioria dos trabalhos que associam hábitos de saúde a doenças cerebrais.

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