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Consumo de álcool favorece sexo sem proteção, diz estudo

Pesquisa mostra que o álcool é responsável direto por afetar a tomada de decisões, aumentando as chances de um comportamento de risco

A relação entre o consumo de álcool e o sexo sem proteção é bastante conhecida. Várias pesquisas já demonstraram que quanto maior a quantidade de bebida ingerida, mais chances existem de praticar o comportamento de risco.

Mas ainda havia dúvidas sobre essa relação de causa e efeito. Os pesquisadores não sabiam se traços de personalidade, como a busca por prazer ou uma pré-disposição para comportamentos de risco, levavam tanto ao consumo de álcool quanto ao sexo sem proteção.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Alcohol can lead to unsafe sex

Onde foi divulgada: revista Addiction

Quem fez: Rehm J., Shield K.D., Joharchi N. e Shuper P.A

Instituição: Centre for Addiction and Mental Health (Canadá)

Dados de amostragem: 12 experimentos com dois grupos: um que consumia álcool e outro que não

Resultado: O aumento do nível de álcool no sangue de 0,1 miligramas por mililitro tinha como consequência um acréscimo de 5% na propensão de ter sexo desprotegido.

Segundo um estudo que será publicado na edição de janeiro do periódico Addiction, o principal do mundo no que se refere a estudos sobre dependência química, a dúvida acabou: é o consumo de álcool que leva ao sexo desprotegido.

Os pesquisadores reuniram os resultados de 12 testes que mediram a relação causa e efeito entre consumo de álcool e sexo sem proteção. O resultado encontrado foi que o álcool afeta a tomada de decisões. Quanto mais álcool os participantes dos testes consumiam, maior era a vontade de fazer sexo sem proteção.

Os participantes foram divididos em dois grupos formados aleatoriamente: um consumia álcool, o outro não. Depois disso, foi medida a intenção de ter relações sem proteção. O aumento do nível de álcool no sangue de 0,1 miligramas por mililitro tinha como consequência um acréscimo de 5% na propensão de ter sexo desprotegido.

A importância da descoberta é grande. Pode servir para que sejam encontradas novas alternativas para prevenir esse tipo de comportamento de risco. Em países do primeiro mundo, mas também no Brasil, a incidência de doenças transmitidas sexualmente, como a Aids, mantém-se estável – em alguns casos até cresce. Por isso é importante descobrir meios de inibir condutas que levem ao aumento da transmissão das doenças sexualmente transmissíveis.

“Este estudo ajuda a explicar por que as pessoas adotam esse tipo de comportamento, mesmo sabendo dos risco: o álcool influencia o processo de decisão”, afirma J. Rehm, do Centro de Dependência e Saúde Mental do Canadá, coordenador do estudo. “De hoje em diante, os programas de prevenção de aids devem levar em conta os resultados deste estudo.”