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Como Viagra pode ajudar seleção da Inglaterra em partida contra o México? Urologista explica

'Solução' para enfrentar altitude do Estádio Azteca foi ventilada por tabloides britânicos, mas não há respaldo médico para uso de remédio nessas condições

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jul 2026, 19h26
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Não é proibido que atletas de alta performance utilizem Viagra, a famosa pílula azul indicada para disfunção erétil, pelas regras da Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês). Isso já foi suficiente para que tabloides ingleses, como o The Sun, começassem a ventilar a possibilidade de uso do medicamento pela seleção da Inglaterra contra o México no próximo domingo, 5. O motivo? Lidar melhor com a altitude de cerca de 2.240 metros do Estádio Azteca, localizado na Cidade do México, onde ocorrerá a partida.

O citrato de sildenafila pode ser considerado uma das drogas mais revolucionárias da história. Ele mobilizou o mundo em seu lançamento, em junho de 1998, pouco antes da Copa em que o Brasil foi derrotado pela anfitriã, a França, por 3 a 0.

Além do efeito para disfunção erétil, demonstrou um potencial para melhorar a função pulmonar em casos de exposição a locais com altitude expressiva.

“O princípio ativo do Viagra pode reduzir a pressão na circulação pulmonar causada pela baixa disponibilidade de oxigênio em grandes altitudes, o que pode melhorar a circulação sanguínea nos pulmões e consequentemente favorecer a oxigenação e a tolerância ao esforço físico”, explica Roni de Carvalho Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

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Apesar disso, Fernandes alerta que não há estudos suficientes para atestar esse efeito e que o medicamento não deve ser utilizado para este fim.

“Ele não é recomendado como estratégia para quem vai praticar esportes ou viajar para locais de grande altitude, mas sim para tratar a disfunção erétil”, reforça.

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Para quem quer entender melhor o impacto em grandes altitudes, o urologista explica que o medicamento aumenta a disponibilidade de uma substância que promove o relaxamento da musculatura dos vasos sanguíneos e a vasodilatação.

“Nos pulmões, esse efeito reduz a resistência dos vasos pulmonares, facilitando a passagem do sangue e podendo melhorar a troca de oxigênio em determinadas condições.” No pênis, segundo ele, ocorre o aumento do fluxo sanguíneo quando ocorre o estímulo sexual.

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A WADA tem motivos para não considerar o Viagra como doping, de acordo com o urologista. “Até o momento, as evidências científicas não demonstram melhora consistente do desempenho esportivo em atletas e o medicamento possui indicação médica reconhecida para doenças como disfunção erétil e hipertensão arterial pulmonar.”

Efeitos colaterais e ereção

Como todos os medicamentos, o Viagra também causa efeitos colaterais, como dor de cabeça, vermelhidão no rosto, congestão nasal, tontura, azia ou desconforto gastrointestinal, sensação de calor e alterações visuais transitórias.

“Em situações raras, podem ocorrer queda da pressão arterial, perda súbita da visão ou da audição e priapismo (ereção prolongada por mais de quatro horas), que é considerada uma emergência médica.”

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E a possibilidade de ereção durante a partida, em um eventual uso – lembrando que a delegação inglesa não apresentou essa possibilidade – não é algo previsto.

“Esse medicamento não provoca ereção espontânea. Para que ela ocorra, é necessária estimulação sexual, pois o medicamento apenas potencializa uma resposta fisiológica já desencadeada”, afirma Fernandes e acrescenta: “Durante uma partida de futebol, em que há predomínio de estímulos físicos e ativação intensa do sistema nervoso simpático, muita adrenalina circulando, a ocorrência de ereção é muito improvável.”

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