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Cigarro eletrônico é mais eficaz do que adesivo e chiclete de nicotina, diz estudo

Resultado de nova pesquisa contraria trabalhos que não encontraram benefícios do produto ao fumante que deseja abandonar o tabagismo

Especialistas e autoridades de saúde ao redor do mundo ainda não chegaram a um consenso quanto à substituição de cigarros convencionais por sua versão eletrônica. A proposta do cigarro eletrônico é oferecer nicotina sem expor o indivíduo aos prejuízos da queima do fumo (e das substâncias cancerígenas derivadas do tabaco). Enquanto alguns estudos sugerem que o dispositivo pode ajudar o fumante a largar o vício, outros não apontam benefício algum e há até indícios de que o cigarro eletrônico pode ser tão maléfico quanto o comum.

Um estudo publicado nesta terça-feira, por exemplo, concluiu que os cigarros eletrônicos ajudam uma pessoa a parar de fumar com mais eficácia do que adesivos e chicletes de nicotina. A pesquisa, feita por especialistas da Universidade College London, na Grã-Bretanha, acompanhou cerca de 6 000 fumantes durante cinco anos. Segundo os resultados, a chance de parar de fumar foi 60% maior entre os participantes que usaram cigarro eletrônico em comparação com os que recorreram a terapias de reposição de nicotina (adesivos ou chicletes).

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De acordo com Robert West, professor do departamento de epidemiologia e saúde pública da Universidade College London e coordenador do novo estudo, compreender os reais efeitos do cigarro eletrônico é algo extremamente importante. “Isso pode afetar milhões de vidas”, diz. Ao jornal britânico The Guardian, West garantiu que tanto ele quanto o laboratório em que trabalha não possuem qualquer vínculo com empresas que fabricam cigarros eletrônicos e que, por isso, não há conflitos de interesse em sua pesquisa.

O estudo foi publicado nesta terça-feira no periódico Addictions. Ele se baseou nos dados de fumantes que tentaram abandonar o tabagismo entre julho de 2009 e fevereiro de 2014. Segundo os resultados, 20% das pessoas que tentaram parar de fumar com a ajuda de cigarros eletrônicos tiveram sucesso. Entre aquelas que contaram apenas com a força de vontade, essa taxa foi de 15,4% e, entre as que usaram adesivo ou chiclete de nicotina, 10%.

Danos – Além da eficácia no auxílio a quem deseja parar de fumar, também se questionam os efeitos do produto sobre a saúde das pessoas. Não existem evidências científicas consistentes sobre seu impacto a longo prazo. Uma nova pesquisa do Instituto de Câncer Roswell Park, nos Estados Unidos, sugere que os cigarros eletrônicos aquecidos com bateria produzem, junto com o vapor de nicotina tragado, uma toxina cancerígena chamada formaldeído. De acordo com o jornal The New York Times, o estudo mostrou que os níveis da substância aumentam quanto mais elevada a voltagem da bateria.

Se estudos como esse forem confirmados, ficará claro que deixar de fumar com a ajuda de um cigarro eletrônico será uma forma de substituir um hábito prejudicial à saúde por outro. No entanto, esses efeitos ainda não foram confirmados e o debate em torno do produto continua.

Regulação – No Brasil, a venda e a importação, mas não o uso, de cigarros eletrônicos são proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos Estados Unidos, propostas para regulamentar a venda do produto serão colocadas em votação nos próximos meses. As medidas, elaboradas pela agência regulatória do país, a Food and Drug Administration (FDA), incluem a proibição da venda do dispositivo para menores de 18 anos e a obrigatoriedade de os fabricantes informarem os riscos e a composição do cigarro eletrônico.