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Cientistas usam rostos famosos para identificar demência precoce

Não reconhecer fotos de personalidades como Albert Einstein ou Elvis Presley pode indicar declínio prematuro das habilidades cognitivas

Pesquisadores da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, conseguiram identificar o início da demência em indivíduos entre os 40 e 65 anos de idade por meio de um teste que usa as fotografias de personalidades célebres como elemento principal. A demência consiste na diminuição progressiva de funções mentais como o raciocínio e a memória. Segundo os pesquisadores, a incapacidade de reconhecer rostos famosos como os do físico Albert Einstein ou do astro Elvis Presley pode indicar o início do problema.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Naming vs knowing faces in primary progressive aphasia

Onde foi divulgada: periódico Neurology

Quem fez: Tamar Gefen, Christina Wieneke, Adam Martersteck, Kristen Whitney, Sandra Weintraub, M.-Marsel Mesulam e Emily Rogalski

Instituição: Universidade de Northwestern, EUA

Dados de amostragem: 57 pessoas com média de 60 anos de idade

Resultado: Os pesquisadores descobriram que é possível identificar o início do declínio das habilidades cognitivas de pessoas antes do envelhecimento, por meio do teste de reconhecimento de faces

Para chegar à conclusão, publicada nesta terça-feira no periódico Neurology, os cientistas reuniram um grupo de 57 pessoas com média de 60 anos de idade. Enquanto 27 indivíduos desse grupo não apresentavam nenhum tipo de problema em suas habilidades cognitivas, trinta sofriam de afasia progressiva primária, um tipo de demência que se manifesta nas pessoas antes da velhice e afeta o centro da linguagem no cérebro.

Os participantes do estudo examinaram uma série de vinte imagens impressas em preto e branco com rostos de personalidades famosas. O objetivo era conseguir nomear corretamente esses rostos. A cada rosto nomeado, o participante ganhava uma determinada quantidade de pontos; se só conseguia reconhecer, mas esquecia o nome da personalidade da foto, os cientistas pediam para que o indivíduo identificasse o rosto famoso por meio da descrição.

Ao comparar as pontuações obtidas pelos indivíduos afásicos com as conquistadas pelos participantes livres de demência, os cientistas descobriram que os afásicos tiveram um desempenho significativamente menor do que os outros: conseguiram reconhecer 79% dos rostos, e nomear apenas 46% deles. Entre o outro grupo, as porcentagens foram de 97 e 93%, respectivamente.

Envelhecimento – O teste de reconhecimento de faces já era usado antes, porém apenas em pessoas idosas, com mais de 65 anos – faixa etária em que a demência é mais comum. Apesar disso, é importante ressaltar que a demência não é um estágio natural do processo de envelhecimento.

Os cientistas de Northwestern modificaram o teste para que fosse possível identificar a demência em indivíduos mais jovens. Para isso, incluíram os rostos de personalidades relevantes para pessoas com idades entre 40 e 65 anos.

Ressonância magnética – Além do teste, os participantes do estudo também foram submetidos a ressonâncias magnéticas que buscavam identificar as áreas do cérebro responsáveis por reconhecer e nomear rostos famosos.

Os exames mostraram que as pessoas com dificuldade em nomear os rostos têm uma maior tendência à perda de tecido do lobo temporal cerebral esquerdo, enquanto os problemas de reconhecimento estão ligados à perda de tecido em ambos os lobos temporais, direito e esquerdo.